NOITES DE AZUL E VINHO
O
casamento no 30º ano tornou-se monótono, uma ou outra noitada para não esquecer
que existiam, Alencar e Sarita, aconteciam beijos em vez em quando, tudo sempre igual, como se fosse obrigação.
Certo
dia Sarita por insistência de uma amiga acompanhou-a a uma palestra sobre o
sexo na fase madura. A sexóloga de uma maneira original, sincera, mostrou, sexo
não acaba e as alternativas existentes. Sarita falou para si mesma, se eu for
fazer essas coisas com Alencar, do jeito que é conservador e moralista, vai me
expulsar de casa como prostituta, rapariga de beira de estrada. Entretanto, comprou
um filme para incentivar, excitar, seu sessentão.
À noite Sarita, jeitosa, contou à Alencar,
sua amiga Lourdinha levou-a à uma palestra sobre sexo para mulheres maduras,
não entrou em detalhes, porém, mostrou a
fita, produção pernambucana, "As Secretárias Taradas". Que tal
assistir ao filme naquela sexta-feira tomando um vinho? Perguntou.
Sentaram-se
no sofá, Alencar abriu um Château Lafite colocou em cima da mesinha, os dois
brindaram, o controle remoto deu início ao filme. Uma historinha em que algumas jovens são candidatas a uma vaga no emprego.
O patrão pessoalmente entrevista as candidatas à secretária, faz a primeira
triagem, marca reunião com as três escolhidas, as três mais bonitas, cada qual,
hora diferente. Na primeira entrevista, como era esperado, começa a pornografia
explícita, Alencar gostou, comentou ser um filme pesado, nunca tinha visto
tanta safadeza, no fundo estava excitado, tomando mais vinho, amando as
carícias de Sarita, coroa bonita cheia de gás, muito caldo. Estavam em início de vias de fato quando a
terceira história surpreendeu Alencar, olhou mais fixamente para a artista em
ótimo desempenho, a esposa perguntou, por quê parou, ele respondeu, nada,
recuperou-se do susto, entretanto, reconheceu a artista, era uma amiga, toda
segunda-feira Alencar tirava a ressaca com Michelle num motel, ela dizia ser
atriz, trabalhava em teatro, fazia algumas pontas em filmes no Recife, toda
semana viajava para esse pequeno trabalho, ajudava a sustentar sua filha, ele
também a ajudava, entretanto, queria mesmo estudar arte, tinha apenas 25 anos,
nova, sem medo do trabalho. Alencar admirava essa menina com tanta garra, dava
sempre um bom ajutório, achava Michelle um pouco inibida em suas carícias. Reconheceu
a "namorada", não teve dúvida quando deu um close, a atriz do filme era Michelle.
Noitada preciosa
para o casal, Alencar gostou quando Sarita, depois da terceira garrafa de
Château Lafite, desinibiu-se e fez coisas que jamais teve coragem nos 30 anos
de casados. Ajudado pela azuladinha, ao acordar aconteceu uma matinal, como há
muito tempo não faziam.
Na segunda-feira Alencar marcou com Michelle, em frente
ao coreto da Avenida da Paz. Eram quatro da tarde quando ela entrou no seu
lindo Honda, direto para a praia de Jacarecica. Alencar puxou conversa,
perguntou sobre o trabalho, sobre o filme, displicentemente ela respondeu, seu trabalho era uma ponta no filme
de arte, Pernambuco, agora é a Hollywood brasileira, filmes premiados, qualquer dia leva um Oscar.
No quarto ele pediu filmes pornô, para melhorar
o desempenho, disse à "namorada", ela sorriu enquanto lhe abraçava. Em
vez do filme do motel ele colocou , "As Secretárias Taradas", ficou
aguardando começar abraçado à Michelle. Ao reconhecer o filme, ela levantou-se
pediu para tirar a fita. Alencar acalmou-a, contou toda história, até
agradeceu, ela reascendeu o desejo à sua mulher, estava insípido, agora havia
reencontrado o sexo na maturidade. Deu uma de despedida, pagou a Michelle,
nunca mais a procurou. Alencar adora suas noitadas de
vinho e azuladinha com Sarita

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