CÍRCULO DE GIZ EM BERLIM
Em pedaços do Muro de Berlim, o desenho da foto
do beijo histórico entre Brejnev (
Rússia) e Honecker ( Alemanha Oriental). Abaixo o autor e senhora imitam os
dois líderes comunistas.
Desenhando no chão um círculo de giz ao
redor de um peru ele sente dificuldade em ultrapassar a linha do círculo, torna-se
prisioneiro, a área marcada do círculo é seu mundo, a percepção de liberdade do
peru limita-se ao círculo de giz desenhado no chão. A vida é bem parecida, nos impõe vários
círculos de giz desde que nascemos, às vezes procuramos sair do círculo ou nos
acomodamos com os limites. O problema é que sempre existirá um outro círculo
nos cerceando a liberdade, às vezes a felicidade.
Durante a juventude descobri
na leitura e nas viagens a melhor maneira de transpor o círculo de giz. Consegui
abrir caminhos, enxergar novos horizontes, conhecer cidades, outros povos,
outras culturas, com a leitura e o espírito aventureiro. Hoje, setentão e
muitas viagens no costado, continuo com o gosto de aventura, de viagem, conhecer
outros palcos da história da humanidade. Nos últimos dias realizei um sonho
viajando, visitei parte do Leste Europeu, países alinhados à União das
Repúblicas Socialista Soviética após 2ª Guerra Mundial, separados do Oeste
Europeu pela imaginária, não tanto, Cortina de Ferro, naquela época.
Hitler derrotado, os aliados vencedores iniciaram a
repartição do "saque" em territórios campos de batalhas. Assim foi
deflagrada no cenário mundial a Guerra Fria ( guerra política, sem armas), a
Alemanha e o mundo foi dividido entre os vencedores, o lado Oeste liderado pelas nações liberais capitalistas,
USA, Inglaterra e França e as nações da parte Leste ficaram na órbita da União Soviética.
Stalin o consolidador do regime comunista implantou nas fronteiras da Europa uma linha
divisória marcante, muros de concretos, fortificações militares, arames
farpados, fossos fundos impedindo qualquer tipo de transposição de tropas,
equipamentos e armas de guerra e outros obstáculos delimitando fronteiras,
evitando qualquer “contaminação” dos países liberais, capitalistas.
Foi quando o primeiro-ministro
britânico Winston Churchill, denunciou, "uma cortina de ferro desceu sobre
a Europa”, acusando a União Soviética de uma ferrenha divisão
político-ideológica entre os regime comunista e o sistema liberal capitalista.
A URSS, aliada na 2ª Guerra Mundial contra o
Nazismo, tornou-se inimiga da coligação
anglo - saxâ, defensora dos valores da sociedade ocidental contemporânea. A
Cortina de Ferro foi o mais implacável círculo de giz da história
contemporânea.
Em 1961, auge da Guerra
Fria, depois da Revolução Cubana de cunho socialista intensificaram-se as
defesas dos Blocos quase surgindo uma Terceira Guerra Mundial, foi preciso a União
Soviética retirar os mísseis com ogivas nucleares de Cuba, bem na porta dos
USA. Nessa época foi construído pela União Soviética o Muro de Berlim, dividindo
a cidade de Berlim entre os setores comunista e capitalista, a expressão “cortina de ferro” foi consolidada na imprensa
e opinião pública. Era o mais novo círculo de giz ou de concreto, implantado
pelo regime soviético na Europa dividida.
A Guerra Fria entre os dois
sistemas políticos, determinou um apartamento econômico, social, cultural entre
as nações. Em Berlim no muro intransponível muitos habitantes da parte oriental
foram mortos ao tentarem transpô-lo, era o isolamento ideológico para não
contaminar o regime socialista com os bens de consumo do capitalismo liberal. O
Muro de Berlim, círculo de giz bem delineado na bela capital da Alemanha,
dividiu famílias, casais, amigos.
A Cortina de Ferro finalmente
acabou-se depois do povo demolir o Muro de Berlim em 1989 e da queda dos vários
regimes comunistas que dominavam o leste europeu, revolta e descontentamento
com a falência da retórica socialista, em especial no campo econômico. Durante esse
período vários países tentaram liberta-se do jugo soviético, como a Hungria em
1956, A Primavera de Praga em 1968, todos os movimentos esmagados pelas tropas
soviéticas.
Passei
esses últimos dias conhecendo os países
do Leste Europeu, grata surpresa, beleza urbana, economia pujante. Ainda restam
pedaços conservados do Muro de Berlim, fiz documentário fotográfico do desenho
famoso, o presidente russo Brejnev beijando Honecker presidente da Alemanha
Oriental. O Muro de Berlim foi o último círculo de giz concreto de uma época
insana contemporânea da humanidade.
Para completar a série de círculos, visitei
na Alemanha a marcante vergonha da humanidade, o Campo de Concentração de Sachsenhausen
onde os nazista exterminavam o povo judeu e não ariano.
Nada melhor que uma viagem, conhecendo mais
o mundo se conhece mais nossa aldeia. Relaxei, desliguei-me completamente até
do mais novo círculo de giz inventado pela modernidade, o Face book.
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