domingo, 7 de dezembro de 2014

UM TEXTO DE FERNANDO COLLOR

Alagoas, 200 anos

Por: » FERNANDO COLLOR – senador (PTB/AL).
Sob a monarquia escravocrata e ainda vivenciando as consequências da fuga de Dom João VI e sua comitiva, em 1808, diante da ocupação de Portugal pelos franceses, o Brasil convivia com suas disparidades e o desafio de construir a unidade num território continental. Foi no desdobramento desse cenário conturbado que a comarca de Alagoas desmembrou-se de Pernambuco, por decreto real, em 1817, sendo elevada à condição de capitania independente.

No dia 16 de setembro de 2017, o Estado de Alagoas vai completar dois séculos de existência. Uma trajetória que começou bem antes de dois alagoanos – os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto - protagonizarem os acontecimentos que levaram à Proclamação da República e aos embates subsequentes para sua consolidação. É a segunda menor área territorial, mas sempre elevou seus filhos, ao longo dos tempos, a posições notáveis nos mais diversos setores da vida nacional.

São as peculiaridades da nossa terra, da época da senzala, do feitor e da cana de açúcar esbagaçada ainda nos banguês. Se examinar os mitos de Calabar e Nassau, a presença holandesa, ou a denominada sociedade dos esquecidos, como os negros, os índios, as mulheres e os judeus, vale um mergulho na obra dos professores Douglas Apratto e Carmen Lúcia Dantas, como “Caminhos do Açúcar: engenhos e casas-grandes das Alagoas”, publicada pelo Senado Federal. Do passado para o presente, o olhar reflexivo para compreender e construir o futuro.

Às portas de completar 200 anos, Alagoas se depara com o desafio de se libertar da paralisia e acelerar seu desenvolvimento. Diante da crise de gestão, o povo optou pela mudança. Descortina-se a possibilidade de superação desses indicadores negativos, como os que foram sistematizados pela Macroplan e recentemente divulgados pela Biblioteca do Senado Federal. É hora de mudar a estratégia, de redefinir as prioridades, de avançar em busca da eficiência e de soerguer a autoestima dos alagoanos e de sua confiança em seu próprio destino.

É neste novo momento e levando em conta a indiscutível importância histórica da efeméride que se avizinha, que apresento uma sugestão ao nosso governador eleito Renan Filho: entre todas as medidas que deseja implementar, que ele leve em conta a ideia de instituir uma espécie de grupo gestor multisetorial de trabalho, para pensar e elaborar um circunstanciado calendário de atividades alusivo aos 200 anos de Alagoas.

As áreas da Educação, da Cultura, do Esporte, da Comunicação e do Turismo poderiam articular ações com outras esferas de poder, inclusive federal, e promover o engajamento dos mais diversos segmentos da inteligência alagoana, além da Universidade, do Instituto Histórico e Geográfico do Estado e da Academia Alagoana de Letras. Penso no governo como indutor de uma grande mobilização social, fazendo acontecer atividades de interesse público em todos os campos. O sentimento de mudança presente nas ruas haverá de potencializar oportunidades. Nada melhor do que associar essa energia a um momento de alta significância em nossa própria história.

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