quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DEU NO JORNAL DA BESTA FUBANA

POUPANDO TRABALHO AOS AMIGOS (REPUBLICAÇÃO)

Esta texto foi publicado no dia 2 de dezembro de 2013
Estou absolutamente certo que terei um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Que o Brasil vai ser coberto de amor, paz e luz neste mês de dezembro que está começando. Que a felicidade inundará o coração de todos e que o mundo será bem melhor daqui pra frente. Que o Menino Jesus vai trazer boa sorte e fortuna para a humanidade. Estou certo disto tudo.
De modo que poupo aos meus caros amigos o trabalho protocolar e burocrático de me dizer estas coisas por estarmos chegando ao final do ano. Fico até temeroso que meu correio eletrônico entre em pane, tamanha a quantidade diária de mensagens com votos das assim chamadas “boas festas”. Ressalto e insisto que não estou sendo ingrato ou grosseiro; estou apenas querendo poupar trabalho àqueles que me são caros.
Por um repentino milagre, nesta época do ano ficamos todos bonzinhos, minando amor por todos os poros e entupidos dos mais puros e benfazejos sentimentos do mundo. As maldades e putarias que fizemos durante o ano todo ficam definitivamente sepultadas.
Pronto. Dito isto, sinto-me desobrigado do amor e da boa vontade que o período nos obriga a ter e passo a agir como ajo no resto do ano: arengando, trocando tapas, dando tabefes, recebendo bofetões, odiando meus inimigos, rogando pragas pro chefe, falando mal dos meus amigos, pagando proprina pro policial, xingando os outros motoristas no trânsito, desejando a mulher do próximo, esculhambando meu vizinho, tendo inveja dos que têm sucesso e rogando pragas contra os que têm mais posses que eu.
Vou dar uma banana bem estralada pras multidões que invadem os centros de compra, no anual e rotineiro furor consumista, e num vou comprar porra nenhuma neste mês que não seja o essencial pra abastecer minha bodega caseira. Se depender de mim, o comércio que vende brindes e presentes vai ter um prejuízo arretado neste final de ano.
Os últimos dias de 2013 eu vou gastar procurando este velho ridículo e idiota, este pedófilo safado chamado Papai Noel, importado das geladas regiões boreais, vestido pra uma tempestado de neve numa cidade onde faz 40 graus à sombra. Este velho fela da puta que só premia os ricos e fode as crianças pobres. Vou dar-lhe uma cambada de pau tão da gôta serena que ele vai ver o começo mas não vai ver o fim.
Vou deixar de lado o Natal europeu-americano deste velho tarado e vou mergulhar de cabeça nos folguedos nordestinados de final de ano, com muita fruta tropical, muita cerveja, muita comida regional, muito forró pé-de-serra e frevo, muita dança, maracatu, pastoril, reisado e cachaça boa de cabeça. E vou exercitar minha vontade pra tentar ser um sujeito bom o tempo todo, voluntariamente e do fundo do meu coração, e não somente no final do ano, apenas porque uma tradição idiota manda que assim seja.
E, em falando de Papai Noel, vou repassar pra tudo quanto é sujeito que me detesta (que não são poucos…), pros cabras safados deztepaiz, pros corruptos, pros bandidos e pros pilantras de todo o mundo, o cartão que recebi de Esmeraldo Boca-de-Fossa, peruador sociológico palmarense, a seguir reproduzido, desejando que uma pajaraca de grosso calibre arrombe o furico de cada um deles:
Papai Noel vem ai
Que alegria, que prazer
Vem trazendo um presentinho
Pra bundinha de você
Boas Entradas com Vaselina Pacu!
Papai-Noel-BF

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