sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DEU NO JORNAL DA BESTA FUBANA

RAZÃO E EMOÇÃO NAS URNAS

Mara Bergamaschi
Está tão difícil para o PT abandonar, a um mês das eleições presidenciais, sua arraigada cartilha antitucana que a última “estratégia” de campanha de Dilma Rousseff é tentar acrescentar a letra D à sigla PSB.
Transtornado com as pesquisas que apontam risco de morte eleitoral no segundo turno, o QG de Dilma permanece em estágio de negação: olha para Marina Silva e enxerga Aécio Neves ou Serra ou Alckmin. Ou até um “FHC de saias”, como inventou o líder do PT no Senado.
Freud explica? Quando a realidade é ameaçadora, alucinação e delírio podem funcionar como mecanismos de defesa psíquica.
Ainda que primária, essa reconstrução de Marina parece ser uma saída menos traumática do que renovar o discurso fossilizado, repetido há décadas pelo PT. Para que o sucesso da fórmula continue, seria necessário que o adversário permanecesse o mesmo.
humberto
Senador Humberto Pato-Rouco Costa cagando pela boca: “Marina é o FHC de saias”
No mundo real, entretanto, a conjuntura política mudou e a ex-senadora Marina Silva não se confunde com nenhum outro candidato. Pelo contrário: neste momento, ela se consolida como favorita porque o eleitor, que quer mudanças, a diferencia claramente dos demais – ainda que tenha dúvidas sobre seu eventual governo.
Segundo o Ibope, Marina abriu 16 pontos de vantagem sobre Dilma em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. E o movimento pró-Marina no Estado é suprapartidário: votam nela 51% dos eleitores de Paulo Skaf (PMDB, base governista) e 16% dos de Alexandre Padilha (PT), além de 43% dos eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB).
Por mais que exista um componente emocional nestas eleições (talvez a memória das Jornadas de Junho), os brasileiros expressam claramente suas preferências e demonstram um maior domínio do xadrez eleitoral. Certamente o exercício democrático das urnas nos aprimorou.
O ex-presidente Lula, que passou a terça-feira nas ruas de São Bernardo ao lado de Dilma, pediu aos eleitores que recorram à razão na hora do voto. Mas, como se vê, os seus próprios companheiros têm dificuldades para lidar racionalmente com o novo quadro eleitoral. Para enfrentar Marina, seria preciso, primeiramente, reconhecer sua singularidade.
A grande expectativa nas duas próximas semanas é ver como o PT, no caso de Marina consolidar seu favoritismo, reagirá ao risco iminente de perder o governo. Com o “Volta Lula” aos 45 minutos do segundo tempo? Nada é impossível. E o PSDB vai, sem jogar a toalha, se aproximar do PSB para futuras alianças? Veremos nos próximos capítulos.

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