sexta-feira, 5 de abril de 2013

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA



SUTIL, COMO UMA TENTAÇÃO
Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.
Tenho dúvidas se o mundo, o Brasil, ou mais especificamente a Bahia de Todos os Santos (e de todos os pecados) ficaram mais ou menos felizes com a saída de Daniela Mercury do armário. A ex-rainha do axé não surpreendeu. Pessoas do ramo e entendidos de uma maneira geral já guardavam essa informação. Não obstante, muitos marmanjos irão conservar a sedutora imagem da cantora: sem chegar a ser bela, olhar maroto, malicioso, seios e coxas insinuantes em decotes e recortes rasgados em diáfanos tecidos.

Mercury, que vivenciava certo ostracismo no show business nacional, perdendo espaço para Ivete Sangalo e Cláudia Leitte, terá agora um plus no interesse popular. É possível que seu prestígio volte

ao topo. A baiana engrossa a fileira dos homossexuais egrégios que nos últimos dias resolveram escancarar suas vidas privadas.

Quer-se crer que a sociedade está madura para conviver com as diferenças. O homoerotismo está nas praças e becos. Novelas de TV fazem a apologia do relacionamento. A história há de fazer justiça ao deputado evangélico Feliciano, hoje execrado por supostos comentários ofensivos a gays e negros. Involuntariamente, tem papel preponderante na queda do

nível de hipocrisia no país. Pessoas que se ocultavam, hoje acariciam-se e beijam-se abertamente. O risco é exagerar e tornar a homossexualidade dever de Estado.

O preconceito ainda dá seus mugidos. Há alguns meses, o malcriado botafoguense Aguinaldo Timóteo ficaria furibundo com um apresentador de TV, justamente por ter sido enaltecido como um exemplo de homossexual assumido. Em compensação, Falabella, Gabeira e outros, com orgulho, declararam suas preferências. Sobretudo quando a gente lembra que até bem pouco tempo Cauby Peixoto e Agnaldo Rayol faziam pose de garanhão é que se tem a percepção dessas exposições.

Não é fácil vencer com uma prévia condenação bíblica. Ao dar-se créditos a fantasiosos (e escrachados) diálogos entre Jeová e Abraão decidindo o destino de cidades onde a homossexualidade vicejava, legou-se uma carta de maldição. Se Cristo foi misericordioso com prostitutas, ladrões e até com seus algozes, Seu Pai foi extremamente inamistoso com a comunidade gay de Sodoma e Gomorra.

A bondade de Deus tem permitido que ventos liberais varram as peias judaico-cristãs, que insistiam em culpabilizar as tentações eróticas. Não é um trabalho solitário. Correntes gays do PT, PCdoB, PSOL, dentre outros, são fundamentais à causa. Nada, contudo, seria possível sem a heroica participação de Dilma Rousseff. 

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