A vitória da esperança
Nado Torres / Diretor
da revista Folha da Barra
A vitória do
jovem José Medeiros Nicolau ou, como se tornou mais conhecido aqui na Barra,
Zezeco, é a vitória do novo sobre o velho, é a vitória da esperança sobre a
desconfiança. O prefeito eleito da maltratada Barra de São Miguel mereceu a
aposta de mais de 72% do eleitorado. Significativos e históricos, os números
traduzem a decepção dos barrenses com os políticos profissionais, que, tendo já
sua chance, nada fizeram. Falharam!
A Folha da
Barra também apostou em Zezeco. Desde o primeiro dia em que foi anunciada sua
candidatura, a revista escolheu-o como o melhor candidato para transformar um
município entregue tanto tempo a uma gestão sem rumo e ineficiente. Somente
ele, jovem íntegro, responsável e longe dos vícios da politicalha, poderia,
acreditou a Folha, reerguer a Barra de São Miguel.
Nos países
de tradição democrática, como a França e os Estados Unidos, é comum um veículo
assumir seu apoio a determinado candidato. Para a imprensa desses países, essa
postura significa honestidade a seu público. Por exemplo, o New York Times
avisa seus leitores qual candidato o diário defende. No Brasil, a revista
semanal Carta Capital inaugurou tal prática ao revelar que apoiaria o candidato
Lula, em 2002. Expor suas preferências significa coragem, honestidade e
respeito ao público. Mas alardear neutralidade, como fazem Globo, Veja e Folha
de S. Paulo, é cinismo. Afinal, é evidente que todos têm suas preferências. A
atitude da Folha da Barra foi até tema de uma aula de jornalismo em uma
faculdade de Maceió. Para o professor, a revista, além de ética, foi corajosa.
Nestes
próximos quatro anos, sabe-se, o trabalho será árduo. Afinal, Zezeco assumirá
uma prefeitura sucateada e entregue ao caos. Como balneário, a Barra de São
Miguel está saindo mal nos cartões postais: lixo nas ruas que, mal iluminadas,
convidam ao crime; risco aos banhistas tanto pelos quadriciclos quanto pela
sujeira; falta de perspectiva para os nativos, já que os empresários pensam
duas mil vezes antes de se instalar aqui.
A Folha
acredita que a integridade e a independência – esta assegurada pela votação
esmagadora – manter-se-ão firmes, mesmo em meio ao fisiologismo de um poder
legislativo acostumado a negociações tantas vezes espúrias. Que Zezeco não ceda
a forças nefastas nem faça conluios com homens públicos indiferentes aos
anseios da população sofrida. Que Zezeco mostre a essas múmias políticas um
novo e ético modelo de se fazer política.
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