O HÍMEN DA VIRGEM DE S. BERNARDO
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL
Outrora cantada em versos e
prosas, sonho de consumo de porcos machistas chauvinistas, a virgindade
feminina está disponível na rede de computadores. Uma jovem catarinense pôs sua
película à venda, em leilão. Constam ofertas de cem mil dólares. Precinho
salgado, acessível a mensaleiros e quejandos.
Moralismos à parte, crê-se que, em Alagoas,
salvo a perdulária classe política e alguns gestores apreciadores da fruta, poucos
teriam cacife para bancar a moça. Assim mesmo com uma mãozinha de Viagra.
Falo de preço de virgindade e
logo me vem o egrégio ministério remanescente do governo anterior. Passivo de
gratidão da “herança bendita”, esses caras - defenestrados dos seus cargos
apenas após denúncias da imprensa - participaram ativamente, imagina-se, com seus
“esforços” para a eleição de dona Dilma.
Portanto, a permanência nos
cargos integraria o catecismo de velhas receitas republicanas de fazer vistas
grossas às patifarias ministeriais, desde que não sejam denunciadas pela
imprensa. Embora não haja originalidade, esse conceito teve no PT de Lula,
Dilma, Dirceu et caterva aplicadíssimo aluno, diga-se de passagem, pupilo que
superou os mestres.
Que pena as coisas terem terminado
assim! Lembro com muita saudade daquele brotinho em flor, virginal estrela a
tremeluzir honestidade nas portas das fábricas. É certo que poucos acreditavam
naquele frenesi demagógico de “partido que nem rouba, nem deixa roubar”. Há,
contudo, uma melancolia aos ataques a Sarney, Maluf, Delfim, “o gordo sinistro”...
A pretensa virgindade era quase comoventemente crível. Oh! Deus, onde andará
aquele hímen dantes inexpugnável, que tão bem simbolizava a agremiação?
Hímens e virgindades lembram, na
ficção, o Capitão Justiniano Duarte
da Rosa, o Capitão Justo, estereotipado personagem do romance Tereza Batista
Cansada de Guerra, de Jorge Amado. Capitão Justo, símbolo do Mal, era um
colecionador de hímens de adolescentes. Arrancados à força, viravam troféus ao
pescoço, centúrios, em lendário colar de contas. O fim foi trágico.
O julgamento do mensalão, como já se disse, bem que poderia ser denominado
de julgamento da virgindade perdida. A essa altura, ninguém acredita que a
virgem de São Bernardo tenha sido
estuprada por um Capitão Justo qualquer.
As evidências processuais não deixam dúvidas sobre a vontade deliberada
de perder-se, de leiloar sua
membrana. Passou um boi, passou a
boiada.

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