"Vivo maravilhosamente bem sozinha. Faço tudo: dirijo, uso o computador, administro e faço serviço de casa. Também viajo muito. Estou chegando de um resort agora mesmo.
| Isadora Brant/Folhapress | ||
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| Cyonea Vilas-Boas, 82, programadora de sites, no apartamento onde mora sozinha há 17 anos, em São Paulo |
Meu marido morreu há 17 anos. Éramos casados há 47. Nunca tive a intenção de colocar alguém no lugar. Senti a falta dele, que era uma pessoa fina, amorosa, mas soube preencher com outras coisas.
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Tive propostas de casamento e não quis. Reaprender a viver com uma nova pessoa seria cansativo. Permanecer na mesma casa e com as mesmas coisas foi uma decisão de imediato.
Jamais eu moraria com filhos. Eles têm a vida deles. Mãe ou sogra deixa o casal pouco à vontade.
Jamais eu moraria com filhos. Eles têm a vida deles. Mãe ou sogra deixa o casal pouco à vontade.
São dois filhos e quatro netos. Os netos não vêm muito aqui, têm a vida deles, trabalham, namoram.
Não que seja melhor ficar sozinha. Não fico só. Aonde vou, converso com todo mundo e acabo conhecendo mais gente do que se estivesse acompanhada. Caminho no parque do Povo com um grupo de idosos, frequento a biblioteca com senhoras, fazemos aulas de literatura, de dança e de ioga.
Há momentos em que me sinto cansada porque exagerei nos meus afazeres. Nessas horas, minha filha fala: 'Vai viajar que a senhora está precisando'.
Não sei o que faria se ficasse desamparada. Enquanto faço tudo sozinha, não penso nisso. Procuro nem lembrar que isso pode um dia acontecer."
Cyonea Villas-Bôas, 82

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