sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JB NA HISTÓRIA - 4 DE NOVEMBRO


4 de novembro de 1979: Estudantes islâmicos tomam embaixada americana em Teerã

Jornal do Século. Referente a edição do Jornal do Brasil de 5 de novembro de 1979

Armados com paus e correntes, e gritando "morte aos Estados Unidos", estudantes islâmicos invadiram a embaixada americana de Teerã, capital iraniana, pela segunda vez, desde a Revolução de fevereiro, e tomaram como reféns 98 pessoas. A princípio, a ação parecia uma das muitas manifestações que o governo americano vinha enfrentando em todo o mundo.

A primeira impressão se desfez assim que os estudantes divulgaram as primeiras imagens dos reféns amarrados e vendados, exigindo a deportação do xá Reza Pahlevi para libertá-los. O ex-soberano iraniano fugira do país no início daquele ano, após o sucesso da Revolução islâmica encabeçada pelo aiatolá Khomeini, e encontrava-se em território americano em tratamento contra um câncer.

Uma das razões que levaram o governo americano a acreditar numa rápida solução para o problema foi o desfecho da invasão anterior. Na ocasião, um grupo guerrilheiro muçulmano ocupou a embaixada, transformando o embaixador e 70 funcionários em reféns. Horas depois, por interferência direta de Khomeini, todos forma libertados com um pedido formal de desculpas ao governo revolucionário.

Porém o histórico de episódios recentes protagonizados pelos revolucionários mostravam sua disposição implacável para fazer valer as leis islâmicas. Em agosto, uma mulher foi decapitada por adultério, enquanto seu amante recebeu 100 chibatadas pelo crime. Até outubro, os tribunais revolucionários já haviam executado 650 pessoas, o que levou Khomeini a suspender temporariamente a aplicação das penas.

A ação, que se firmaria como ápice da Revolução de fevereiro, dominou os 14 meses restantes do governo Jimmy Carter (1977-1981), envolveu uma série de ameaças de boicotes e retaliações, e marcou o rompimento diplomático entre Teerã e Washington. Somente 444 dias depois, em 20 de janeiro de 1981, 20 minutos após o discurso de posse de Ronald Reagan, ao final de um dia de atribuladas negociações em Washington, Londres, Teerã e Argel, envolvendo banqueiros e autoridades governamentais, os últimos 52 reféns foram libertados. Saiba mais aqui!

Desde então, 4 de novembro é uma data chave para o regime iraniano, que cresceu e se alimentou nas últimas décadas com a retórica antiamericana.

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