Denilson Leite atuava no teatro com o Grupo Joana Gajuru e foi encontrado morto neste domingo
Deborah Freire
Foto: Divulgação
Denilson (direita) atuava no grupo teatral Joana Gajuru
O presidente do Grupo Gay de Maceió, Tanino Silva, deve entrar em contato hoje com a família de Denilson Leite da Silva, o ator alagoano do grupo de Teatro Joana Gajuru que foi assassinado na manhã deste domingo no bairro de Fernão Velho. Ele quer autorização para cobrar investigação do crime com indícios de homofobia.
A classificação de crime homofóbico, segundo Silva, depende da crueldade com que a ação foi cometida. Denilson foi morto por um golpe de arma branca. Ele foi degolado e ainda apresentava marcas de mordidas no ombro, segundo relato do sargento José Ronildo, do 4º Batalhão de Polícia Militar.
A guarnição foi chamada ao local onde o corpo foi encontrado por populares e constatou que o homicídio ocorreu em outro lugar. “Ele apenas foi desovado lá, na Vila Goiabeira. Pelo tipo do ferimento e por ele ter sido desovado, não parece ter sido assalto. Foi execução. Por conta das mordidas, creio que houve discussão entre a vítima e o autor. Foi um crime brutal”, ressalta o sargento.
O presidente do Grupo Gay quer buscar mais informações sobre o homicídio e, se for autorizado pela família, ele vai nesta terça-feira à Ordem dos Advogados do Brasil pedir apoio para cobrar uma ação do Ministério Público Estadual (MPE).
O procedimento é o mesmo tomado em todos os crimes contra a classe LGBT. Normalmente, o MPE cobra da delegacia responsável o esclarecimento do crime, mas nem sempre ele acontece. “Poucos casos são resolvidos. A maioria passa anos e anos sem solução”, afirma Tanino Silva.
O corpo de Denilson Leite foi velado no Teatro Deodoro, no Centro de Maceió, e enterrado no cemitério São José.
A Polícia Civil já tem três linhas de investigação: crime passional, homofóbico ou latrocínio, roubo seguido de morte.
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