CARNAVAL É LUXO. E O LIXO ?
Aqueles que escolhem a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, assistem, deslumbrados, o maior espetáculo da terra. As escolas de samba revelam, no sambódromo, enredos sensacionais, desenvolvidos por carnavelescos que esbanjam criatividade, que usam as cores, em suas tonalidades, distribuídas nas alas da suas agremiações amadas. É colírio de beleza para olhos paralisados frente ao desfile que escorre sambando na Marquês de Sapucaí.
Os que optam pela primeira capital brasileira, São Salvador, não assistem a um espetáculo. Porque são literalmente impulsionados e convocados pelo axé, ritmo contagiante, que faz rebolar, descobrir coreografias, subir e descer ladeiras, suar os abadás.
No Recife, os visitantes se incorporam aos nativos na paisagem rítmica do frevo, maracatu, caboclinho, coco e ciranda. E se perdem no meio dos blocos gigantes como o Galo da Madrugada, líricos como o Bloco da Saudade. Ou blocos de bonecos gigantes que percorrem as cidades de Olinda e Recife, noite e dia, sem hora para terminar. Desfilam, democraticamente, saindo de um, entrando em outro, cujo percurso é o que menos importa ao folião.
Em todos os carnavais a idéia é se esbaldar na animação. A visão do alto é que, juntos, fundaram o bloco do samba, axé, frevo e cia. Essa mistura é bonita demais, vem vestida em fantasias luxuosas e outras bem humoradas, criativas, repletas de críticas políticas e sociais. É o luxo do carnaval brasileiro.
Mas, na mesma proporção, o luxo também é lixo. Quando a intolerância gera violência, quando a ausência de educação produz o vandalismo que destrói o patrimônio público, quando a falta de informação e consciência gera resíduos que poluem nossos rios , praias, mangues e cidades.
É lamentável que, após a passagem de uma agremiação ou concentração de entusiasmados brincantes, tenhamos como saldo toneladas e mais toneladas de lixo cujo destino, na maioria das vezes, são os esgotos. Que, por sua vez, desembocam nas nossas águas e lixões improvisados.
O carnaval é luxo para quem constrói felicidade respeitando o próximo, preservando o coletivo. No sentido oposto, é destrutivo, gerando lixo material e humano.
Vista sua fantasia, sambe, rebole e freve. Capriche na criatividade, na alegria, não produza lixo. Torne-se um folião de luxo.

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