17 de março de 1976 - A morte do Cineasta Luchino Visconti
Contraditório, discutido, rotulado de marxista em alguns momentos de sua carreira assim como de nostálgico da decadência aristocrática em outros, mas indiscutivelmente um dos mestres do cinema europeu, Luchino Visconti morreu no dia 17, em Roma, aos 69 anos de idade. Doente desde 1972, quando sofreu um ataque cardíaco, Visconti tinha acabado de filmar seu último trabalho, L’Inoccente, baseado no romance homônimo de Gabrielle D’Annuzio. E não pretendia parar. Cerca de um ano antes da sua morte, o diretor italiano dissera: “Sou um ser cinematográfico, que vai ao estúdio todos os dias, mesmo agora que a doença me humilhou, me feriu”.
Em uma cadeira de rodas, necessitando da ajuda alheia para se locomover dentro do estúdio, Visconti seguira filmando seu último trabalho, alguns meses antes de falecer. “Carregam-me como se eu fosse o Papa”, disse ele uma vez durante a filmagem de L’Innocente, na qual técnicos precisaram erguer sua cadeira, aproximando sua cabeça ao olho da câmara para que pudesse dirigir as cenas do filme.
Nostálgico, Visconti às vezes confessava sua solidão: “Eu gostaria de transmitir meu conhecimento a pessoas mais jovens. Ajudar pessoas. Todas as minhas tentativas acabaram em desastre. Não somos compreendidos. Eu desejava laços intelectuais profundos, e o que me ofereciam eram relações sentimentais sem sentido. Também gostaria de ter adotado um pequeno vietnamita. Legalmente, não é possível fazer isso sem ser casado. Os amores sempre terminam mal; é por isso que não revejo meus filmes”.
A juventude da década de 70 causava-lhe decepções: “Os jovens têm a cabeça vazia, drogam-se, bebem. Não aguentaria ser dominado outra coisa além de mim mesmo. Não preciso me evadir. Se estou deprimido, leio algumas páginas de Marcel Proust e esqueço todas as minhas preocupações”.
Do teatro às telas de cinema
Luchino Visconti nasceu em Milão, em 1906, em uma família aristocrática que dominou esta cidade italiana no século XV, e cujos membros foram mecenas de Leonardo Da Vinci e de outros artistas da época. Estudou música, se envolveu com o teatro, mas, aos 30 anos foi para Paris dedicar-se ao cinema e lá foi acolhido por Jean Renoir, que faria dele um de seus assistentes em três filmes (Les Bas-Fonds, de 1936; Une Partie de Campagne, de 1937; e La Tosca, de 1938). De volta à Itália, na Segunda Guerra estreou como diretor com o longa Ossessione (1942). Por participar da resistência ao fascismo italiano, Visconti foi preso e condenado ao fuzilamento, conseguindo fugir posteriormente. Entre seus trabalhos mais marcantes estão Um Rosto na Noite (1957), Rocco e seus Irmãos (1960), II Lavoro (episódio de Boccaccio 70, 1962) e O Leopardo (1963).
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