sábado, 23 de agosto de 2014

UM TEXTO DE MARCOS DAVI

O FATO E A VERSÃO

Ao ver na televisão o vídeo da tragédia que vitimou Eduardo Campos e comitiva: uma queda de avião vertical, direta do alto para baixo, sem manobras miraculosas desviando de prédios, sem bola de fogo, nem fumaça; enfim, uma aeronave absolutamente sem controle, contrariando todos os relatos de testemunhas visuais daquela tragédia, recordei uma narrativa de García Márquez.

Naquela narrativa, Márquez relata o ocorrido em uma pequena cidade do interior colombiano:certo dia, um senhor idoso e muito respeitado na comunidade, ao acordar, durante o café da manhã, comenta com seus parentes: está com um mau pressentimento que alguma coisa muito ruim vai acontecer na cidade.

Um de seus filhos, também respeitado na comunidade, dirige-se à única agência bancária da cidade para pagar uma conta. Lá, enquanto espera na pequena fila, comenta o estranho pressentimento de seu pai. Após resolvidas suas necessidades, todos vão cuidar da vida.

Mas, cada um deles,onde chega,comenta com parentes, com amigos, o mau pressentimento do respeitado cidadão e a onda de mal estar, em pouco tempo, espraia-se por toda a cidade. Logo, transforma-se em pânico; tanto que ao final do dia, atabalhoada e desorganizadamente, os moradores, apavorados, abandonam a cidade; é quando o homem que tinha tido o mau pressentimento, faz seu veredicto final “ eu não disse que ia acontecer algo de muito ruim na cidade?”.

Os estudiosos debatem há tempos por que um mesmo fato pode ser visto e interpretado de formas variadas por testemunhas oculares diferentes. Inicia-se a campanha eleitoral para eleger os representantes do povo para os próximos quatro anos, e principalmente para a Presidência da República. Dentro do mundo real que vivemos, todas as candidaturas têm as suas propostas, as suas qualidades e as suas máculas.

Entre tantas questões importantes para o debate dos candidatos, uma é fundamental para que a realidade não seja transformada em fantasia, o que ocorra de fato não ganhe versões distorcidas e fantasiosas; é a indispensável Liberdade de Expressão,aquela ferramenta que propicia a preponderância do fato, e não a vitória da versão.

Um instrumento que os democratas verdadeiros não abrem mão sobre nenhuma hipótese.Essa é uma questão que precisa ganhar extremo destaque nessa eleição e em todas as que venham a ocorrer no País.

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