sábado, 23 de agosto de 2014

CINEMA ANOS 30 - Sexo, drogas e pecado antes da censura em Hollywood Houve um tempo em que os filmes da "velha Hollywood" escapavam do controle da censura, com prostitutas sem complexos e festas regadas à cocaína


Getty Images
A então desconhecida Marlene Dietrich em cena do filme "O Anjo Azul", de 1930
A então desconhecida Marlene Dietrich em cena do filme "O Anjo Azul", de 1930
Adultérios felizes, prostitutas sem complexos, delinquentes como heróis e festas regadas à cocaína. Houve um tempo, entre 1930 e 1934, em que os os filmes da "velha Hollywood" escapavam do controle da censura, um período fascinante marcado por títulos como "O Anjo Azul" (1930) e "Serpente de Luxo" (1933).
Se o primeiro revelou ao mundo as coxas da então desconhecida Marlene Dietrich, no segundo, Barbara Stanwyck dá uma lição sobre como usar o sexo para ascender na escala social.
Esses são os exemplos mais conhecidos, mas existem muitos outros.
Esse período de libertinagem cinematográfica, reconhecido como "Pre-Code" e que se concentra nos filmes elaborados nos estúdios RKO Pictures, se desenvolveu entre as primeiras produções hollywoodianas de cinema sonoro e a implantação do chamado código Hays em 1934.
Chamado assim pelo sobrenome de seu impulsor, William Hays, o primeiro presidente da Associação de Produtores e Distribuidores de Cinema da América, esse código era uma espécie de autocensura adotada perante as pressões da igreja e dos setores mais puritanos.
"Não permitia mostrar na tela os desvios sexuais, a vulgaridade, a ridicularização das religiões, o alcoolismo ou a toxicomania", explica Guillermo Balmori, especialista em cinema.
A questão é que a princípio, em plena depressão posterior à crise de 29, havia certa permissividade. Desta forma, no começo de "Árbitro do Amor" (1931), de Lower Sherman, é possível ver uma criada em um salão recolhendo com naturalidade os rastros de uma festa, incluindo drogas.
Em "Our Betters" (1933), um dos primeiros filmes de George Cukor, a atriz Constance Benett aparece no papel de uma nova rica americana que se muda para Londres por amor, mas que, após se casar, descobre as vantagens de ter amantes.
O longa também inclui um dos pouquíssimos personagens gays do cinema clássico.

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