terça-feira, 18 de junho de 2013

UM TEXTO DE BENEDITO RAMOS DA ACADEMIA ALAGOANA DE LETRAS

A DESARTICULAÇÃO DA CULTURA EM ALAGOAS
 BENEDITO RAMOS - escritor.

Não bastasse o raquítico Índice de Desenvolvimento Humano, os problemas com educação, merenda, saúde, o setor cultural permanece desarticulado e sectário. Continuamos a viver um conjunto de pequenos feudos litigando com osucesso ou fracasso dos demais. Nunca tivemos e nem hoje temos uma unidade que nos identifique. Não há solidariedade nem senso de comunidade no fazer cultural. Convocações para reunião dos equipamentos culturais pela Secretaria Estadual de Cultura são ignoradas, sobretudo por aqueles que sempre estão a participar do parco orçamento do Estado nas suas ações. 

É claro que os entraves da cultura vão além destas picuinhas. O turismo cultural é um bicho de sete cabeças que nunca pode ser compreendido pelas secretarias de turismo e cultura juntas. Nunca foi, nem é e nem será sistemático enquanto o mar e as lagoas não secarem. Museu algum de Alagoas pode competir com as belezas naturais. Porém dar opções aos turistas, isto sim, seria justo. Mas quem nos visita, entre os 1.673 turistas, em 2012, veio espontaneamente, a pé, percorrendo o bairro ou de táxi, de caso pensado. Nunca, nunca mesmo trazidos por alguma companhia de turismo. Estas, sim, já possuem uma programação sistemática, organizada, onde o ônibus para diante de algum monumento arquitetônico do trajeto para o passageiro fotografar de dentro, sem ter direito, sequer de abrir a janelinha. 

Mais de uma vez tenho dito e, por último, disse ao presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural, Vinicius Palmeira, que me ouviu atentamente e compreendeu meus reclamos. Precisamos criar um calendário turístico para Alagoas inteira. Pontuar eventos culturais na capital e em cidades com vocação turística.

Os folguedos precisam estar na orla semanalmente. Isto gera emprego e renda. O turista precisa ser apresentado a Maceió, uma cidade que eles voltam pra casa sem conhecer e que mesmo assim se apaixonam. Não dá para imaginar alguém chegar, dormir e no outro dia: mar, lagoa, mar, lagoa.... sem ver a cidade.

Eventos no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso trazem visitantes aos museus de Jaraguá. A maioria por mera curiosidade. Mas que haja alguma divulgação nesse sentido, não há mesmo.

É por estas e por outras que os equipamentos culturais deveriam estar mais unidos e fortes, dentro de um sistema que já existe no papel, mas que na práticaé um fracasso. A vida da cidade, a vida do próprio estado, depende de um concerto onde todos cantem no mesmo tom. O tom da democracia cultural.

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