PORQUE O MEDO É A POLVORA...
Alberto Rostand Lanverly
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Maceioense de Letras
Tantas são as notícias escabrosas, desnudando o Brasil, a cada dia, que, ao materializar pensamentos, em textos, busco enfocar temas amenos, deixando para a crônica especializada destrinchar o caos existente no HGE ou Santa Mônica; o avanço das drogas e prostituição, de há muito flagelando os quadrantes da capital; os desfalques e desmandos administrativos, que engessam, tanto o transporte como a educação, a economia como a saúde, transformando nossa cidade em um beco quase sem saída, onde o lixo, falta de água e luz contrastam com as inigualáveis belezas naturais que todos conhecemos.
Por ser de carne e osso, contudo, nada incomoda mais um ser humano, que a certeza de se encontrar, sempre, com medo, principalmente pelo fato de estar sob permanente ameaça. É quando a volúpia de dividir com os semelhantes, ideias que gostaria de gritar ao mundo, são de alguma forma divulgadas, uma vez que quando nos sentimos vitimas, todas nossas ações e crenças são legitimadas, por mais questionáveis possam parecer.
Dias atrás, assisti ao filme intitulado “Nova York Sitiada”. Terminada a película, meditei sobre a Maceió onde vivemos e tive certeza que a realidade dos filhos do “Tio Sam”, mesmo com as bombas, tipo “explode quarteirão”, que por lá são acionadas, é bem melhor que a dos conterrâneos, da Terra dos Marechais, pois, ao menos, eles contam com FBI, CIA, SWAT, alem de uma tecnologia sofisticada, capaz de, na pior das hipóteses, amedrontar os que tem nos dogmas o norte de seus atos.
Cheguei à conclusão, que, aqui, somos prisioneiros de uma situação, com a qual todos teimamos em conviver, ainda que dominados pelo medo, pois, a palavra segurança, nem no aconchego dos lares, é mais mencionada com a consciência da verdade. Há muito tempo, o clima de Sodoma e Gomorra domina o cotidiano do alagoano e a incerteza do momento seguinte é uma das verdades com a qual todos convivemos: os “sem terra” invadem praças e interditam rodovias; flanelinhas pintam e bordam nos meio-fios e esquinas de semáforos; enquanto os desocupados bloqueiam ruas, gritando suas palavras de ordem. Isto, sem falar na classe política e suas traquinagens “roliudianas” (sic).
Mais recentemente, uma nova coqueluche atormenta todos, com a repetição dos assaltos, ao meio dia, como à meia noite, no calçadão da Ponta Verde e nos restaurantes, nas farmácias, praças e, até, nas igrejas e banquinhas de revistas, nos supermercados e hotéis, sem esquecer as residências de indefesos cidadãos. É uma situação que empurra as pessoas de bem para o corner dos nocauteados, imputando-lhes sequelas a que, por muito tempo, permanecerão expostas.
É fundamental entender-se que, assim como a impunidade é resultante de décadas de dilapidação da engrenagem pública, que nos dias atuais tem na corrupção o mal a ser combatido, não se pode negar ser, o medo, a pólvora, e o ódio, o rastilho, sendo o dogma, em última instância, apenas um fósforo aceso. De um momento para outro, o que é bandalheira, poderá se transformar em anarquia.
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