terça-feira, 21 de maio de 2013

Falta de regulamentação mantém futuro das domésticas em suspenso. G1


Mais de um mês após ter entrado em vigor, a chamada "PEC das Domésticas" não provocou a "demissão em massa" que muitos disseram que poderia ocorrer. A nova legislação, porém, já começou a mudar a relação entre patrões e empregadas, mesmo sem a regulamentação de alguns itens, o que aumenta as dúvidas em torno dos novos direitos e responsabilidades.
No Rio de Janeiro, o Tribunal Regional do Trabalho afirma que não houve aumento no número de desligamentos. No Sindicato das Empregadas Domésticas do Município do Rio de Janeiro, o número de demissões ficou na média normalmente registrada.
Parte da nova lei começou a valer no dia 3 de abril, quando o texto da PEC foi publicado no Diário Oficial da União. Por falta de regulamentação, no entanto, sete itens ainda estão em suspenso: seguro-desemprego, indenização em demissões sem justa causa, conta no FGTS, salário-família, adicional noturno, auxílio-creche e seguro contra acidente de trabalho. A emenda prevê um prazo de 90 dias para a regulamentação desses direitos – até o início de julho.
Já em São Paulo, a assistente jurídica do Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo (Sindoméstica-SP), Camila Ferrari, estima que tenha havido um aumento de 5% em relação às demissões. "Mas não dá para avaliar se foi referente à PEC ou se já havia um problema e o patrão usou isso como argumento", disse.
Vanda da Paixão, Josineide Santos e Ana Maria da Silva, domésticas demitidas  (Foto: Lilian Quaino/G1)Vanda da Paixão, Josineide Santos e Ana Maria da
Silva foram demitidas (Foto: Lilian Quaino/G1)

Aparecida Maria Silva da Gama mudou o horário de entrar no trabalho por causa da nova lei (Foto: Fabíola Glenia/G1)Aparecida Maria Silva da Gama mudou o horário de
entrar no trabalho após lei (Foto: Fabíola Glenia/G1)
Eu finjo que estou respeitando, mas, na prática, não mudou nada"
Aparecida Maria Silva da Gama, babá em SP
Cecília Jesus Silva diz que, na prática, não consegue fazer uma hora de almoço (Foto: Fabíola Glenia/G1)Cecília Jesus diz que, na prática, não consegue
fazer uma hora de almoço (Foto: Fabíola Glenia/G1)

Até 815 mil demissões
Segundo levantamento do Instituto Doméstica Legal, se a Emenda Constitucional 478/2010 (a PEC das Domésticas) for regulamentada sem redução dos custos do empregador doméstico, poderão ser demitidos até 815 mil empregados domésticos, dos pouco mais de 2 milhões identificados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Caso a PEC inclua a aprovação da redução do INSS do empregador doméstico de 12% para 4%, não haverá demissões, e, ao contrário, teremos a formalização de 1,3 milhão de empregados domésticos", calculou Mario Avelino, presidente do Instituto.

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