sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA
PÁ DE CAL
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL
Parece não ter sido tão legal a repercussão da bufunfa paga à cantora Ivete Sangalo,
por uma apresentação no Ceará. Não que ela não faça jus até a mais.. Merece uma
homenagem quem tem forças para cantar.
Longe do autor a pretensão de pautar honorários de quem quer que seja. Sobretudo,
quando se sabe que há quem desembolse duzentos mil reais (ou mais!) para ouvir
o ex-presidente Lula cometer conferências, talvez detalhar como fazia, nos velhos
tempos de sindicalista, para papar tantas viuvinhas, preencher-lhes o vazio da solidão.
Ensinamentos, enfim, que devem ter alguma importância.
O chato em relação à pernuda canora é que os seiscentos e cinqüenta mil reais foram
extraídos dos cofres públicos. Além disso, há quem considere muito espalhafate
para a inauguração de um hospital. Mesmo em Sobral, principado dos Gomes (Cid e
Ciro). Quem sabe, fosse mais adequado convidar médicos para conferências, adquirir
equipamentos, ou alguns mutirões cirúrgicos...
O fato é que, apesar dos Gomes da vida, da Sangalo, do Lula e seus asseclas, a saúde
no país está uma desgraça. Por sinal, mesma conclusão, divulgada esta semana, de duas
personalidades que acabam de assumir as rédeas do setor em Maceió: o secretário João
Marcelo e o prefeito Rui Palmeira.
O desmantelo é nacional. Em dezembro de 2012, todo mundo tomou conhecimento
que um neurocirurgião, no Rio de Janeiro, costumava faltar aos plantões e nenhuma
providência foi tomada para substituí-lo. A razão é muito simples: não se encontra
ninguém para dar plantões
Em São Paulo, cuja demanda reprimida para exames e cirurgias extrapolam as mais
pessimistas previsões, ONGs “politicamente corretas” e governo estadual trocam farpas
sobre o internamento compulsório de usuários de crack. Enquanto dura a estéril retórica,
os usuários – uma legião de desgraçados - continuam ao léu, fazendo de contas que têm
vontade própria para dirigir suas vidas da forma que lhes aprouverem.
Em Alagoas, mais uma vez, prenuncia-se uma greve dos cirurgiões da Emergência. A
superlotação do HGE, a recorrente penúria da Maternidade Santa Mônica e a ridícula
cobertura do PSF, dentre outras, são feridas incuráveis.
Derradeira esperança, o recém empossado secretário João Marcelo considerou
“impagável” a dívida herdada para com os hospitais. Assando e comendo, humilhados,
ainda que não se queira entrar nas reais razões do catastrófico legado, a simples
demora nesses pagamentos é a pá de cal nos hospitais..
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