1977- Um movimento histórico
A partir de 1969, depois do pronunciamento do Ato Institucional número 5 (AI-5), foram constantes as várias formas de repressão do governo militar, como a censura prévia na imprensa, na edição de livros e em espetáculos. Quase 500 livros foram banidos pelos militares sob os mais variados pretextos e 57 peças teatrais proibidas nesse ano e nos anos da década seguinte. Critérios da censura mais que discutíveis fizeram com que a mão pesada se abatesse sobre espetáculos tão diversos como Elas Querem É Leite, de Berta Loran e Carlos Nobre, e Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre.
Recebidos no entanto pelo Chefe de gabinete, que se encarregou de passar o documento ao Ministro Armando Falcão, a primeira reação foi da escritora Lygia Fagundes Telles: "O fato de o Ministro não nos ter recebido não nos importa, o que importa é que estamos aqui representando mil e tanto intelectuais, o mundo criador do Brasil, coisa que nunca foi feita de maneira assim tão harmoniosa".
Apesar dos escritores demonstrarem frustação pela não-acolhida do ministro, o historiador Hélio Silva declarou: "A nossa preocupação é pela liberdade de opinião. A censura é ilegal e estúpida, só julga para o pior. O importante é que o documento foi encaminhado e entregue. Poderíamos ficar aqui para ser depois recebidos pelo ministro, mas não é nosso objetivo".
A língua não será extinta por proibições
"Só podemos recuperar a nossa identidade através de uma livre expressão, do uso permanente da palavra, que está sendo embargada, estamos sendo cancelados". (Nelida Pinon).
O movimento foi iniciado no dia 20 de novembro, em Minas Gerais, logo após a proibição do livro Zero, de Ignácio de Loyola.
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Em São Paulo, o senador Orestes Quercia (MDB) anunciou que ia propor a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para indicar os caminhos a serem seguidos com o objetivo de superar tal estado de coisas.
Em 28 de agosto 1978 o AI-5 finalmente chegou ao fim.
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