Morreu nosso Lêdo Ivo... Poeta, Escritor! Estivemos juntos por horas há apenas 2 semanas... conversamos sobre as imensas injustiças de Alagoas que tanto o indignava, mas também rimos muito e passeamos nas calçadas contemplando nosso Mar e conversando com quem passava... aliás, até “perdemos” o carro e disso rimos demais!!! Só comigo mesmo... sair pra jantar com o Grande Lêdo Ivo e não lembrar onde estaciona o carro e ainda esquecer de tirar fotos! Ele – na eterna fofura e delicadeza comigo – encaminhou como lembrança deste Natal, uma linda publicação em grandes postais com os seus poemas escolhidos sobre Alagoas! Lêdo Ivo, como tantos, infelizmente pra ser “reconhecido” precisou daqui sair... o velho e monstruoso horror da inveja que aniquila quem ousa ser o que é e destrói quem não aceita o servilismo político... tal qual no seu verso “Mas caso me proíbam de passar... por ser eu diferente ou indesejado... mesmo assim eu passarei. Inventarei a porta e o caminho e passarei sozinho” ou ainda "Falo pelos que não falam... Grito pelas bocas mudas... Estou além da mortalha, da mentira e da mordaça!". Compartilho com vocês a mensagem que ele me mandou e um dos seus poemas escolhidos:
Minha pátria não é a língua portuguesa. Nenhuma língua é a pátria. Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci e o vento que sopra em Maceió. São os caranguejos que correm na lama dos mangues e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando [sonho. Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas [carcomidas, os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar, e o céu encurvado pelas constelações. Minha pátria são os apitos dos navios e o farol no alto da colina. Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa. São os estaleiros apodrecidos e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos [e impaludados não param de [tossir e tremer nas noites frias e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores e as réstias de cebola enrodilhadas na treva e a chuva que cai sobre os currais de peixe. A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria. Nenhuma língua enganosa é a pátria. Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre pátria [muda, minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem dicionário, minha pátria sem língua e sem palavras. |
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
DO FACEBOOK DE HELOÍSA HELENA
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