quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CARTA DE UMA JOVEM A LÊDO IVO, ENTREGUE NA 3ª FLIMAR



Caro Lêdo Ivo,
Somos de eras inversas uma da outra, mas encontro em sua escrita uma 
essência tão minha que a cultivo um pouco para meus olhos de ver a vida. Sou 
sua seguidora a pouco tempo, entretanto esse fato não é um empecilho para
expressar toda a minha gratidão.
Venho a FLIMAR por um único objetivo, conhecê-lo. Ver quem é este homem
de palavrear simples, que me encantou tão perto. Um homem tão longe. Posso 
sair de Marechal sem ter a conversa que gostaria, mas carregarei como troféu 
a honra de tê-lo visto em minha frente. Não posso me apresentar como poetisa. 
O ofício da vida ainda não me fez uma completamente. Todavia, apresento-me 
como aprendiz.
Tenho por nome Willliany, carrego dezoito anos de história, sou nascida e 
resido em Arapiraca  – AL, lugar esse que não tem mais as mesmas feiras e 
cada dia se afasta mais de suas raízes, abandonando a sua cultura que já não 
considero rica como outrora foi um dia. Sempre ouvia histórias de que aqui 
temos o melhor fumo, não temos mais. Vejo neste povo,  ainda, um pouco de 
fé. Uma fé tão distante que se não bem observada não é vista nem uma 
nascente. Vejo também nos demais jovens certo descaso pela literatura, em 
sua maioria há um estranhamento até com poesia, o que muito me entristece, 
pois, durante esses dezoito anos, eu jamais encontrei algo tão bonito.
Não lembro com qual idade aprendi a ler, nem ao menos recordo do dia em 
que me apaixonei por ela, não posso dizer que é algo recíproco, mas acredito 
que minha relação com a poesia tem uma sintonia especial e grandes mestres 
como o senhor tem me feito ver ainda mais que poetizar vale muito. Anseio 
chegar o dia em que alguém assim como faço agora, escreva uma carta e fale 
que minhas poesias fizeram com que visse a leitura sob um ângulo diferente; 
que um maior número de pessoas leia por prazer e que desfrute do mundo que 
pertence aos poetas. Que os poetas abram portas e que fechem escuros!
Chego ao fim de minha carta ainda mais agradecida do que estive antes de 
começa-la e se o senhor ler até o final, perceberá que tirei cada palavra não de 
um vocabulário rico, mas de uma alma que agora sente um alívio e uma emoção indescritível. Como dito de início,  sinto gratidão pelo tesouro que 
ofereces a humanidade e digo ainda que o garimparei durante toda minha vida.
Um grande abraço de urso,
Williany

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