sábado, 14 de julho de 2012

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA


PLANOS DE SAÚDE

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL

Numa involuntária moção ao 14 de julho, como um horrendo Danton ou um simulacro
do "incorruptível" jacobino, a cabeça de Demóstenes Torres rolou após inúteis vesperais verborreicos.
Uma pena que por trás daquela máscara de probidade se escondesse figura tão tinhosa. Seu substituto
já chega irisado por desairosos comentários que incluem relação promíscua com a contravenção até
irreparáveis desgostos, como a perda da sensual esposa, justamente para Cachoeira. É a síntese do
Parlamento brasileiro. Sai um sujo, entra um mal lavado. Será que um dia ainda teremos saudades do
Demóstenes ¿

Quem também teve uma cólica de seriedade foi a Agência Nacional de Saúde ao punir planos de
saúde, inclusive nossa Unimed. Sem olhar para o próprio rabo, a ANS castigou a chamada Saúde
Complementar, mise en scène midiático, com direito a ministro da Saúde. No fim, ficou a impressão de
que algumas empresas deixaram de ser incluídas.

Até o início dos anos 1990 não atendia por convênios. O empobrecimento da classe média e o descaso
com a Assistência Médica jogariam parte da população no colo dos planos de saúde.

Assim filiei-me a esses famigerados intermediários. Com a Hapvida tive dissabores que me impeliram
a solicitar o desligamento. Não suportei assistir à reincidência de meus doentes neurocirúrgicos
serem transferidos para Fortaleza. Sem sofrer da "síndrome do colonialismo científico" e despido
de arrogância, fiz ver que os anos de ensino e de exercício da medicina me conferiram um grau de
maturidade profissional para não admitir ingerências maliciosas no meu ofício. A mocinha do convênio
pareceu-me convencida, mas na primeira oportunidade aplicou-me a mesma rasteira...

O convênio Bradesco é quase sui generis. Além de pagar merreca, como todos os outros, de súbito
resolveu alijar a Santa Casa da parceira nas cirurgias de coluna. Decisão inusitada e pouco explícita,
posto que, até onde sei, esse dado só é revelado no instante em que o incauto usuário precisa desse
tipo de intervenção, criando uma situação vexatória para todos.

O fato é que os convênios adorariam que as cirurgias e os exames complementares tivessem parado na
década de 1970. Alguns querem impor aos seus usuários materiais cirúrgicos do mesmo naipe que os
do "bandejão" do SUS. Ora, ora, o contribuinte faz um esforço tremendo para fugir do SUS e na hora de
uma cirurgia, o engraçadinho do convênio quer enfiar material de discutível confiabilidade.

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