quinta-feira, 7 de junho de 2012

UM TEXTO DE ALBERTO ROSTAND


E SE FOSSE COM VOCÊ …. QUE ORA DETÉM O PODER?
Alberto Rostand Lanverly
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Maceioense de Letras
Não se pode negar: o maior dos milagres ocorre quando Deus, com seu “sopro” divino, estabelece que a partir daquele instante, um “espírito” é gerado e nova vida começa a “tomar forma”. Daí, chega ao mundo o homem, principal mentor de todas as ocorrências que dignificam ou entristecem as civilizações que se sucedem.
Nos últimos dias, a palavra “violência” passou a ser a mais comentada por todos. Nas conversas não se deixa de abordar o tema que tanto aflige a sociedade, fazendo, do “medo” um companheiro permanente. Apesar de tudo isto, é fundamental  aceitarmos que a situação está critica, mas, não é de hoje e, cada um dos habitantes de nossa comunidade, tem uma ponta de culpa em tudo quanto ocorre.
Em menos de dois anos, episódios dignos de “Auschwitz” envolveram pessoas muito próximas a mim: uma de minhas filhas, juntamente com seu marido, em pleno “meio dia”, no portão de casa, ficaram sob a mira de revólveres, dos quais saíram projeteis, que, por sorte, não os acertaram. Minha esposa, no passeio das 7 horas da manhã, com Arthur “meu neto”, na fatídica Praça Vera Arruda, foi assaltada, descaradamente, por um drogado que se deslocava de bicicleta. Minha cunhada, em “sua caminhada” do final da tarde, a poucos metros do PM Box da Lagoa da Anta, na Jatiúca, sentiu em sua cabeça o “frio cano” de um “38”, cujo portador lhe surrupiou os pertences que trazia.
E, o que foi que eu fiz, depois de tudo isso? Continuei vivendo, sorrindo, percorrendo os mesmos locais como se nada tivesse acontecido. Tenho certeza que, cada um dos alagoanos, tem uma história para contar. Algumas mais tristes, como a dos familiares do médico recentemente “martirizado”, mas, todas, extremamente preocupantes, pois deixa transparecer a certeza de que o egoísmo gerencia o comportamento humano, em uma época em que a sociedade em que vivemos é manchada pelo preconceito, que tatua sua alma e fere seu corpo. Como gado que é marcado a ferro e a fogo, nosso povo sofre a dor da fome, da pobreza e, principalmente, do descaso dos governos.
Nas asas da incompetência ou inércia das autoridades “em todos os níveis”, os bandidos alçam voos, cada vez mais grosseiros e agressivos, fazendo com que as vidas, que um dia receberam o sopro sagrado de Deus, recuem em suas atitudes, devido ao temor que baliza seu comportamento. Como de costume, em poucos dias, as passeatas que atualmente colocam o povo nas ruas, pedindo “segurança”, serão esquecidas, enquanto os “ratos de esgoto” sairão de suas tocas para praticar o mal, na certeza de que, aqueles que poderiam neutralizar seus passos, estão engessados, quer seja pela falta de vontade política, inexistência de combustível para seus veículos ou, até mesmo, devido aos “baixos salários que recebem”.
Que bom seria se, os que ora detém o poder, ousassem inibir o mal, enquanto vivem seu momento de gloria... Até, por quê?: e se fosse com sua família, o que eles fariam?

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