sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA
A MÃO INGLESA DA ESQUERDA
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL
Cai Negromonte, entra Aguinaldo, dois apóstolos. Por cima da carne seca, dona Dilma foi à Cuba levar
nossa solidariedade aos irmãos Castro, justo na semana em que se anuncia que nossa dívida passou de
cem bilhões para quase dois trilhões! Alma pulcra, nossa delicada líder evitou temas desagradáveis,
como a morte do dissidente. Pela lamentável omissão, tem aparecido nas charges com os olhos
vendados e a bolsa aberta...
Mas nada impressionou mais que a excelente matéria, de Janaína Ribeiro, na Gazetaweb desta semana,
abordando a questão dos torturados e mortos durante a ditadura militar. Há quem contabilize cerca
de 450 vítimas fatais nesse período. Embora nada justifique essa carnificina – a não ser as mortes “em
combate”, seria “ínfima” quando cotejada às argentina e chilena. Contudo, bem longe dos milhões de
cadáveres das ditaduras comunistas.
Volto à reportagem e me detenho na fisionomia dos órfãos e viúvas das vítimas e delas próprias. Estas
últimas, por mero acaso, não as conheci pessoalmente. Eram idealistas, a meu ver fascinados por um
modelo em franco declínio. Reflito se, em algum momento, inconfessáveis rancores não competiam
com os elevados sentimentos de solidariedade e sede de justiça.
Época complicada. Desfilam lembranças de filhos de usineiros revelando-se comunistas, alguns sendo
admoestados pela repressão. O detalhe é que nunca abriram mão de suas benesses. Reforma agrária
em suas terras, nem pensar. Teóricos, diletantes ou simplesmente entediados, enturmaram-se com
estudantes menos atirados, que preferiam fazer a revolução nas trincheiras de bares temáticos,
sob os sovacos O Capital, que fingiam ler. Completando o perfil, flertavam com nem tão ingênuas
burguesinhas (“uma das poucas coisas desfrutáveis da decadente burguesia”). A Albânia era o sonho de
consumo.
A grande verdade é que houve em Alagoas uma dezena de jovens que arriscou a vida para transformar
nosso torrão num paraíso comunista. Quero imaginar a decepção se pudessem ver o que foi feito dos
seus sonhos – sobretudo dos antigos companheiros. Hoje, encanecidos ou calvos, delineados por botox,
latifundiários, ares principescos, impecavelmente vestidos, continuam enloquecendo as mulheres.
Esses antigos pés-de-chinelo, além de políticos ou apaniguados de sinecuras, alguns são profissionais
liberais que não fazem graça - nem para as próprias mães. O ponto comum é a sucção do erário. Nem
os Romanov tinham esse padrão.
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