terça-feira, 19 de julho de 2011

UM TEXTO DE MURILLO MENDES

Um Vértice de Confluência





Murillo Rocha Mendes
(Membro da Academia Alagoana de Cultura)

Não sei se ocorre em outras cidades; mas, em Maceió, há um arraigado sentido
de manutenção das amizades construídas na juventude; de fazê-las permanentes e
definitivas. A prática dos esportes, bem o sabemos, foi – e tem sido – sempre e sempre,
o elo mágico dessa robusta convivência que não esmaece com o passar do tempo.
Disso, são exemplos vivos, sobremaneira, as que se forjaram nos bairros de Jaraguá
(Av. da Paz e Praça Raiol) e do Farol (Av. Comendador Palmeira). Seus juvenis
habitantes de então, ainda hoje amigos, vivendo, já, os anos “entas”, mantêm os sólidos
vínculos que concertaram há mais de meio século, para afirmar a beleza da vida, o lado
doce do existir e ser.

Em cada uma dessas mais do que cinqüentenárias associações, necessariamente,
avulta, entre os demais, aquele que, espontaneamente, assume a incumbência de zelar,
como norma de vida, pela mantença desse espírito agregador, dessa conjunção fraternal.

Como corolário desse estado d’alma, no último dia 15, como sempre se faz,
festejamos os companheiros e amigos de juventude, Félix Oiticica Lima e Fernando
Teles, ao ensejo dos seus natalícios. Todos os presentes, quase meia centena de amigos,
sublimaram essa prática de fraterna exaltação, consolidando um ambiente de
descontração, e isso, não foi – e não tem sido – obra do acaso; mas, fruto do trabalho
obstinado de quem se fez capaz de converte-se em vértice para nossa convergência,
cimentando, nesses lúdicos ensejos, essa amorável convivência.

Esses encontros, sua aura festiva, o afável colóquio que se estabelece ficam
sempre conosco; permanecem em nossa memória, como se fossem a própria alma;
seguem a vida conosco, ínsitos em cada um de nós, alimentando-nos, fortalecendo-nos
nessa ingente luta pela sobrevivência. Eles são, em síntese, um tônico reconstituinte que
nos anima e credencia à felicidade. Esse estado de união que, ali, se formaliza é uma
maneira de aderir ao ameno que a existência encerra seu âmago mais sensível e
aprazível. A verdade é que eles nos irmanam, valorizando-nos.

O Cau, nosso devotado companheiro, nesse contexto, é, igualmente, síntese do
seu nome – Cláudio Fernando Oiticica Lima. Tem sido trabalhador prestante dessa
causa, pois que é o verdadeiro responsável por esse amorável investimento na vida de
cada um de nós; e essa, reconhecemos, tem sido uma de suas inúmeras virtudes, ao
constituir-se em vértice da confluência de todos nós, seus amigos e contemporâneos de
juventude. Ele é, induvidosamente, o gestor incansável desses sentimentos que nos
unem e fazem-se capazes de nos curar das asperezas do cotidiano. O fato é que sua
paixão pela preservação de nossa sadia convivência é exemplar para todos nós,

habitantes, enquanto companheiros e amigos, de sua fecunda existência.
Nossos encontros, tal qual o Cau, sintetizam a prática da solidária amizade,
convocam-nos a banir, dessa vida mundana, o egoísmo e o desamor; o individualismo
anômico, sem limites e sem contenção, que tudo quer para si; que pensa tudo poder,
inclusive, que pode prescindir do outro, do próximo e das regras que estabelecem a
harmonia social e moral.

A figura humanista e fraterna do Cau – é o que testemunho – põe-se incólume
em seus próprios fundamentos existenciais, infensa à pátina do tempo, prevalecente; ela
se faz em ânimo e substância para nossa postura de vida.

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