18 de julho de 1945 - Brasil recebe os heróis da Força Expedicionária Brasileira
"O desfile do 1º Escalão da Força Expedicionária Brasileira que regressou dos ásperos campos de batalha da península italiana, constituiu um dos maiores acontecimentos da vida de nossa metrópole, fazendo vibrar até às raias do delírio as emoções espontâneas e patrióticas do povo de nossa invicta Sebastianópolis. Foi um júbilo popular... ". Jornal do Brasil
Após um longo período de combates na Itália, a Força Expedicionária Brasilera desembarcou no Rio. Eram 10h quando o navio General Meyghs atracou com os primeiros pracinhas à bordo, que foram recepcionados pelo presidente Getúlio Vargas.
Em seguida, os heróis nacionais, motivo de orgulho para todo o país, desfilaram pelas principais ruas do centro da cidade, saudados pela multidão que festejava com bandeiras, confetes e serpentinas.
18 de julho de 1968 - Selvageria no Teatro Ruth Escobar
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá …
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração"…
Chico Buarque
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá …
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração"…
Chico Buarque
Mal terminara mais uma apresentação de Roda Viva na noite paulistana, um grupo armado de aproximadamente 20 pessoas invadiu o galpão do Teatro Ruth Escobar, num ato extremo de selvageria. Em trajes que dificultavam a identificação, diziam-se integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), agindo contra a obscenidade teatral. Enquanto iniciavam a depredação, desfigurando o cenário, o público ainda presente apressava-se em fuga. Em seguida os invasores seguiram para os camarins. Destruindo o que encontravam pela frente, espancaram o elenco e a equipe técnica da peça. Duas pessoas foram detidas.
O crime promoveu resposta imediata da classe artística que se reuniu à porta do teatro, exigindo a detenção dos culpados e a condenação do terrorismo de direita. No dia seguinte, movida pela solidariedade de outras companhias, Roda Viva voltava ao palco, com casa cheia e as marcas da truculência da véspera: cenário improvisado, figurino remendado, elenco lesado - mas bravo, pela coragem com a qual conduziu o espetáculo. A inépcia com que foi conduzida a prisão dos dois detidos, o impasse entre o DOPS e a 4ª Delegacia em assumir o paradeiro de ambos e o mistério do desaparecimento dos mesmos fortaleceram a hipótese do envolvimento da polícia no caso, embora o exército nunca tenha admitido sua participação. O CCC foi responsabilizado como único autor do crime.
A agressão ao elenco de Roda Viva fez parte da série de intimidações clandestinas promovidas contra a classe teatral durante o regime militar. Os executores declaravam-se defensores da ordem e dos bons costumes da família brasileira, interessados em coibir as manifestações subversivas.
A agressão ao elenco de Roda Viva fez parte da série de intimidações clandestinas promovidas contra a classe teatral durante o regime militar. Os executores declaravam-se defensores da ordem e dos bons costumes da família brasileira, interessados em coibir as manifestações subversivas.
A ousada proposta de Roda Viva
Com texto de Chico Buarque e direção de José Celso Martinez Corrêa, Roda Viva veio no embalo das manifestações artísticas que questionaram a postura da classe média no contexto do autoritarismo em vigor. Escandalizou não apenas por desafiar a ditadura, ou pela barbárie do CCC, mas, principalmente, pelo rompante do seu ritual cênico. A provocação evocada durante o espetáculo confundia a realidade com a dramaturgia, enquanto os artistas serviam-se de uma agressividade até então inédita para com o público presente, visando subtraí-lo da letargia, reivindicando deste respostas e ação para os seus questionamentos.
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