Romance em Petrolina
Cláudia finalmente chegou a sua casa, estava cansada, foram dias
exaustivos, muito trabalho. A viagem, iniciada 1 mês antes fora feita de
ônibus, todo o estado percorrido. Estava desenvolvendo um trabalho de
pesquisa sobre o crescimento das cidades interioranas e o investimento
que vem sendo feito em Pernambuco. Petrolina foi a última cidade do
percurso e onde seu coração ficou.
Na visitação a vinícola Ouro Verde, no Vale do São Francisco, distante 40
km da cidade, conheceu Jailson. Fora degustar o novo vinho recentemente
lançado. Pareceu-lhe um homem fino, culto, atlético, sem exageros.
Odiava homens fanáticos pela beleza. Estava vestido com calça preta e
camisa com listras suaves em tons de cinza, sapatos pretos e um relógio
que demonstrava seu bom gosto. Um homem fino certamente usa um
relógio como aquele.
Ambos admiradores de vinho, iniciaram uma conversa amena. Ele,
professor da área de Psicologia da Universidade, estava instalado na
cidade desde 2008 e conhecia as 5 vinícolas do Vale, mas sua preferida era
aquela. Notando o interesse de Cláudia, ofereceu-se para apresentar as
demais, seria agradável acompanhá-la. Uma mulher bonita dificilmente
seria má companhia.
No dia seguinte Cláudia acordou cedo, colocou vestido branco,
ressaltando sua pele morena. Após leve café da manhã, dirigiu-se à
recepção do hotel, esperar o cavalheiro. Pelas características do rapaz
chegaria na hora marcada.
Jailson chegou de calça beje e camisa branca, não era bonito, mas dono de
um charme encantador. Percebeu um novo relógio em seu braço, ainda
mais bonito, confirmou sua suspeita, era um homem de muito bom gosto.
Saíram pelas vinícolas, tomaram taças de vinho, apreciaram a paisagem,
ouviram explicações sobre o interesse de empresários do mundo inteiro
em investir no Vale, afinal eram 2,5 safras anuais. O vinho produzido de
excelente qualidade.
Embora a produção não estivesse completamente dentro do território
de Pernambuco, fugindo um pouco do escopo da pesquisa, a conversa
interessava a Cláudia.
Almoçaram na orla lagunar, de onde poderiam ver um lindo por do sol. O
interesse era passarem a tarde conversando sobre a pesquisa de Cláudia.
Notou a atenção dele em servi-la, não descuidava, abria portas, enchia-lhe
a taça, coisas esquecidas pelos rapazes de sua idade.
Jailson contava histórias vividas, leves e encantadoras. Gostava de
cinema, literatura e música. Era viajado e bem humorado, características
essenciais para Cláudia que havia saído recentemente de um
relacionamento de 12 anos. Seu antigo parceiro havia destruído sua graça.
Ela estava se reconstruindo, precisava conviver com pessoas alegres,
otimistas. A separação não havia sido fácil.
Regados a vinho, bebida sedutora, aproximaram-se cada vez mais. Os
olhares já diziam que aquela noite seria diferente. Deram-se as mãos,
palavras eram desnecessárias. Ela sabia que ainda era cedo para envolver-
se, mas precisava de uma aventura amorosa. Sentir-se viva, desejada.
Seguiram para o hotel, subiram as escadas, entraram no quarto. Beijos
prolongados, corpos no mais profundo desejo, entregaram-se. Amaram
como adultos. Corpos nus, dormiram abraçados.
Após o café, pedido no quarto por Cláudia, resolveram desfrutar a beleza
natural da cidade. Saíram de barco para realizar a rota turística que vai
desde o Cais, na Orla de Petrolina, passando pelas Ilhas do Massangano,
Maroto, Pantanal, Rodeador, até a Ilha da Amélia.
Marcaram novo encontro para junho, férias de ambos, o prazo para
a pesquisa de Cláudia estava muito próximo do fim, ela não podia
permanecer em Petrolina. A festa havia acabado. Desta vez no Rio Grande
do Sul onde certamente irão encontrar novos vinhos, o frio irá levá-los a
buscar um lugar aquecido. Não fizeram promessas, não são necessárias.
No dia seguinte, para sua surpresa, recebeu uma caixa de vinhos em sua
casa. Era um bom começo.

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