Curió
Curió é um daqueles amigos que a gente tem obrigação de guardar do lado esquerdo
do peito, dentro do coração. Tem esse apelido desde os tempos em que seu pai deu-
lhe uma bicicleta Hauling, inglesa, que freava no contra pedal, igual a do invernizador
do bairro, que já possuía ha mais tempo. Ficou conhecido como Curió nacionalmente
quando foi jogador de futebol de salão, representando Pernambuco no Campeonato
Brasileiro. Marcar encontro com ele é fácil, basta dar como referência um boteco que
ele sabe onde é.
Aos 60 anos, recentemente completados, vive desde criança fazendo traquinagens.
Sua casa, cheia de amigos, foi palco de grandes festas, principalmente as nordestinas,
juninas e carnavalescas.
Quando moleque, nas ruas da Várzes, participou de diversas estripulias. Entre elas,
estava com os amigos na porta da garagem da antiga CTU quando percebeu que um
motorista havia deixado o ônibus ligado, havia ido tirar a água do joelho na beira do
rio. Entraram sorrateiramente no ônibus, partiram. Paravam nos bares, recolhiam os
bêbados, conhecidos e desconhecidos, até chegar ao Pina. Entraram com o ônibus na
areia, desceram todos pra tomar banho de mar. Curtiram, voltaram de taxi, deixaram o
ônibus atolado pra que outros resolvessem depois.
Foi organizador oficial também do Passeio Alcoológico. Consistia em uma caminhada
que saia no primeiro domingo de dezembro, marcando o inicio das festas de
confraternização natalina. As 6h da manhã, partiam de um bar muito conhecido na
Várzea, o Azulzinho, em direção a Aldeia, bairro em que morava na época, distante
14km. Durante a caminhada eram acompanhados por uma Kombi que servia de
apoio técnico distribuindo cerveja. Chegando ao Canto do Curió, apelido de sua casa,
um enorme café da manhã estava pronto, com tudo que se tinha direito. Depois de
um merecido descanso, regado a cerveja, uma feijoada ou dobradinha pra repor as
energias. A festa estendia-se até as 22h.
Sua época favorita é o carnaval, estampa um grande sorriso no rosto e parte. Épocas
atrás disfarçava-se na multidão, vestido de árabe, papangu, palhaço, o importante era
a diversão.
Novembro último tomamos um susto. Uma forte dor na coluna, não levantava da
cama, não conseguia ir ao médico sem remédio forte pra dor. Exames realizados,
partiu pra cirurgia. Hérnia de disco. 4 de dezembro foi a data marcada, não havia
alternativa, estava comprimindo o nervo ciático.
Os amigos ficaram apreensivos. Final de ano, Natal, e o pior, carnaval bem perto.
Como ficaríamos sem ele no Bloco?
Cirurgia concluída voltou pra casa. Dois dias depois retornou ao hospital, quase
desmaiamos de susto, que havia acontecido? Uma trombose, ciático inflamado. Saiu
do hospital poucos dias depois.
Na virada do ano, preocupado, não queria perder a cervejada,recebeu uma mensagem
no seu celular. Era seu médico, dizendo: “Feliz Ano Novo. Verifiquei seus exames, tudo
perfeito, liberado para beber. Dr. Jussier”. Chamou a família, mostrou a mensagem,
elogiou o médico, muito competente e compreensivo. Encheu o copo e comemorou.
Estava de volta a vida.
Recuperou-se a tempo e esteve no Carnaval conosco nos bares, confessou o pecado.
A mensagem foi passada por ele mesmo, através do celular da cunhada que esqueceu
perto dele. Ninguém havia conferido o número do remetente.

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