sábado, 19 de março de 2011

RESTAURANTE LEITE - 129 ANOS DE TRADIÇÃO - RECIFE


Inês CaladoDo NE10

Bacalhau à Amadeu Dias é especialidade da casa
Bacalhau à Amadeu Dias é especialidade da casa
Foto: Inês Calado/NE10

É um típico dia de semana. E o Restaurante Leite, como faz nos seis dias em que abre as portas, está lotado. São 12h30. É difícil encontrar cadeiras vazias. Para os mais desavisados, não, a casa não abriu recentemente. Funciona há 129 anos no mesmo lugar, às margens do Rio Capibaribe, e já faz parte da história da capital pernambucana. O português Armênio Dias resume com duas palavras a longevidade: "Bons e poucos ingredientes". O azeite e até os palitos e guardanapos vêm de Portugal e o bacalhau é norueguês. O frescor dos frutos do mar é outro ponto que vale destacar. Assim, o menos que é mais dá vida aos 40 pratos do cardápio, que traduz a culinária portuguesa tradicional com perfeição. Clássicos como o Filé Chateaubriand e um simples bacalhau batizado de Amadeu Dias são impecáveis.
O Leite abre apenas na hora do almoço e fecha aos sábados. O cozinheiro Bigode comanda a cozinha há vinte anos. O tradicional Bacalhau Amadeu Dias (veja vídeo) leva cebola, batata, azeitona preta, alho, pimentões e salsinha, além de azeite português e bacalhau. Bigode diz que recebe duas caixas de peixe com carimbos da Noruega (inteiros) por semana, que se tranformam em até 150 lombos. Armênio, que chega ao restaurante todos os dias, às 6h30, faz questão de acompanhar. É comum encontrá-lo na cozinha. "Comando tudo de perto. Até a gravata do garçom tem que estar impecável. E, se for para ter um restaurante que não pode oferecer ingrediente de qualidade, prefiro fechar as portas", diz o proprietário. Aí está a alma do Leite.
Uma simples rabanada tem um toque especial e não apenas porque é regada a vinho do Porto. Tudo no Leite ganha vida própria e continua conquistando os clientes que vão, semanalmente, ao lugar. O arroz de garoupa, feito com pescado fresquíssimo entregue na porta do restaurante, é uma das especialidades levadas ao Leite pelo próprio Armênio. Os ingredientes (mais uma vez eles) são simples, mas o segredo está no bom caldo de peixe que deixa o arroz bem molhadinho.
"O Leite não tem modismo nem invenção. É clásico e tradicional, mas não deixa de surpreender o cliente que vem sempre à casa ou aquele que está conhecendo pela primeira vez", resume Mônica Dias, que tem a missão de tocar este patrimônio - não apenas gastronômico - ao lado do pai. O Leite faz parte da última memória que marcou a beleza e o glamour do Centro do Recife de 1882.


HISTÓRIA - O Restaurante Leite foi fundado, em 1822, por Manoel Leite. Louça inglesa, taças, copos, talheres, tudo veio da Europa. Assim, conquistou a alta sociedade da época. Os irmãos Dias - Amadeu e Armênio - compraram o restaurante em 1955. Até 58, mulher desacompanhada não entrava e, até meados da década de 70, homens eram obrigados a usar paletó para frequentar a casa. Desde que a família Dias assumiu, foram quatro reformas. A última delas em 2009, quando ficou dois meses fechado. Com projeto assinado pelos arquitetos Turíbio e Zezinho Santos, substituiu todo o sistema de ar condionado, além de mexer na cozinha e salão, que tem capacidade para 180 pessoas. Mantém o título de restaurante mais antigo em funcionamento no Brasil.

SERVIÇO

Restaurante Leite
Praça Joaquim Nabuco, 147, Santo Antônio, Recife
Telefone: (81) 3224.7977
Site: www.restauranteleite.com.br

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