8 de março de 1977 - O Dia Internacional da Mulher
"Onde estão as brasileiras? Nenhuma programação marca hoje, no Brasil - onde apenas 18,5% da população feminina são economicamente ativos, a passagem do Dia Internacional da Mulher. E na semana passada, uma reunião do Centro da Mulher Brasileira, no Rio, não conseguiu reunir mais de 50 pessoas. Essa indiferença e esses números parecem indicar claramente que a mulher brasileira ainda não começou a se interessar por seus muitos problemas. Nem pelo feminismo". Jornal do Brasil
Menos de dois anos depois da realização na Capital mexicana da Conferência do Ano Internacional da Mulher, saudada por Simone de Beauvoir como "um acontecimento histórico", o primeiro Dia Internacional da Mulher não tinha mesmo o que comemorar.
De acordo com o Censo de 1970, a força de trabalho feminino (Mulheres acima de 10 anos) calculava-se em 33 milhões, mas apenas 6,2 milhões exerciam atividade remunerada. Na mesma ocasião, eram 23 milhões de homens trabalhando. Entre as principais profissões exercidas pelas mulheres estavam: empregada doméstica, trabalhadora rural, professora primária, costureira, bordareira, lavadeira, balconista, servente e enfermeira (não diplomada).
Clara era a leitura deste cenário. Quanto mais qualificada a tarefa, menor o número de mulheres competindo. Àquela altura, a proporção era de uma para três homens em tarefas nãom especializadas, uma para seis em tarefas do nível médio e uma para 19 entre os profissionais de nível superior.
À mulher cabia o status de força de trabalho de reserva, sempre entrando no mercado para ganhar mesmo do que o homem. A prórpia estrutura da sociedade a marginalizava. Mulher era explorada dos dois lados: no trabalho de casa repleto de atividades e na rua, para complementar as despesas da casa.
Esta realidade estendia-se a outras áreas da vida pública. Pelo código civil, segundo o artigo 603 a direção da sociedade conjugal cabia ao marido. E conforme artigo 1718, cabia ao marido também a administração do patrimônio comum.
Isso num país em que o número de mulheres ultrapassava o de homens.
E afinal? O que mudou nestes 34 anos?
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