ACABARAM NOSSO CARNAVAL
(Um crime contra Maceió)
Não sei quem inventou a história. “Maceió sem carnaval é um paraíso para turistas, eles gastam seus dólares e reais nos hotéis, restaurantes, taxistas e ambulantes, aquecem a economia da cidade.” Para comprovar essa teoria, durante o carnaval telefonei para vários hotéis, estavam com boa ocupação, entretanto, havia vaga. Percorri os restaurantes e bares da cidade, deu-me uma dor no coração, os raros restaurantes abertos tinham poucos clientes, conversei com gerentes, eles falaram, nem na baixa estação havia tão pouco movimento. Os ambulantes nada venderam. Maceió parou, o povo que ama carnaval saiu em busca da folia em praias mais perto. Os ricos foram para Salvador, Recife, Rio, ou suas mansões na Barra de São Miguel.
Quinze dias antes do carnaval viajei ao Recife, quase durmo ao relento, passei mais de 4 horas rodando para conseguir uma vaga num hotel. Fiquei deslumbrado com a movimentação do pequeno comércio de fantasias, adereços e materiais para carnaval. Assisti um comentário do prefeito do Recife, investiu R$ 40 milhões no carnaval, sendo R$ 15 milhões de captação de recursos com empresários e R$ 25 milhões da Prefeitura. Esperava, durante o carnaval, uma circulação de mais de R$ 250 milhões somente no Recife. Carnaval hoje é o maior negócio turístico-cultural do Brasil.
Com ajuda de Sérgio, brilhante economista, fiz alguns cálculos sobre a evasão de dinheiro durante o carnaval em Maceió. Mais de 20% da população de Maceió, cerca de 180 mil habitantes viajaram em busca do carnaval que não tem. Os mais ricos em aviões e carrões, os mais pobres de bicicleta, kombi caindo aos pedaços, moto e carro sem condições, entupiram mais ainda as estradas, tornando o trânsito mais perigoso. Supondo que esses 180.000 maceioenses gastaram durante o carnaval, R$ 200,00 por cabeça, cerca de R$ 36 milhões esgotaram-se pelo ralo da economia, gastos por maceioenses em outras cidades. Acrescentando o dinheiro que circularia se houvesse carnaval, se a população de 900 mil habitantes gastasse nos restaurantes, camelôs, ambulantes, músicos, e outros pequenos negócios, segundo cálculo por baixo, movimentariam cerca de R$ 40 milhões. Com esses números a perda de Maceió durante o carnaval foi em torno R$ 70 milhões. Só os hotéis lucraram. E se houvesse carnaval, eles se beneficiariam mais ainda.
O pior é privar, é tirar a alegria do povo. O art. VII do Estatuto dos Homens prevê: “Fica estabelecido que a alegria seja uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.” O nosso bondoso e ordeiro povo maceioense ficou sem a alegria do carnaval porque inventaram essa insana teoria econômica que turista não quer carnaval. Sou defensor do turismo como forma econômica de melhoria de qualidade de vida, acredito no turismo bem direcionado, que todos sejam beneficiados, principalmente a classe mais humilde, o ambulante, o taxista, o artesão, o pequeno comerciante, a cultura.
Eu gostaria que contestassem esses números, esse crime que estão cometendo contra minha terra, acabando nosso carnaval. Gostaria de uma análise do SEBRAE. Se os que fazem turismo querem a orla, podem ficar com ela. Por que não organizar um carnaval em quatro grandes pólos: Benedito Bentes, Bebedouro, Vergel do Lago e Jaraguá? Queremos carnaval em Maceió, claro que não será igual aos passados. É preciso dar estrutura aos foliões. Que volte a antiga COC, a Comissão Organizadora do Carnaval da Prefeitura, para pensar num projeto de carnaval a médio prazo, começando em 2012, incluindo e robustecendo as maravilhosas prévias carnavalescas atuais.
Apelo ao prefeito Cícero Almeida que tanto fez e faz por minha bela cidade. Maceió precisa e merece um carnaval digno de seu povo alegre. Como folião, estou frustrado. Como cidadão, estou inconformado com o conformismo da população e das autoridades. Prefeito, o senhor tem a Paula Sarmento na Fundação Cultural, uma vitoriosa na empresa privada, ela é capaz, basta a vontade política do senhor. Nosso povo merece essa alegria fugaz que se chama carnaval, sem precisar gastar seu dinheiro em outras cidades. Estou à disposição para qualquer dúvida, qualquer ajuda, sou trabalhador voluntário!

Concordo em gênero, número e grau. É necessário vontade por parte de quem tem a máquina pública nas mãos. Temos uma bela orla, um bairro rico em patrimônio arquitetônico. Porque nçao ter um carnaval com muito frevo, axé e samba. Fantasias e muita alegria. Dinheiro, tenho certeza que tem, só falta querer investir, pois pessoas que queiram fazer o carnaval de Maceió ser alegre não faltam. Eu preciso de um carnaval assim na minha terra, senão realmente, vou ter que ir a outros pólos. Investimento é preciso e o retorno é garantido. Atrações de fora com as daqui são bem-vindas, mas invistam. Precisamos de cores, sons e rostos alegres em nossa capital no carnaval.
ResponderExcluirDeisy Nascimento.
Primo Carlito , estive antes do carnaval em Maceió e brinquei no Pinto da madrugada, foi ótimo, no sábado anterior estive em Marechal Deodoro e brinquei no pré carnaval infantil na casa de música, amei.
ResponderExcluirSoube pela minha nora tudo que você cabou de relatar, uma pena.
Fico na torcida pelo resgate do carnaval de Maceió.
Cássia Albuquerque
Não sou folião,particularmente não gosto do tipo de carnaval que se perpetua em Salvador, morei alguns anos em Maceió e nos carnavais ia para Paripueira aonde se brincava um carnaval "a moda antiga" morei outros tantos em Salvador e no carnaval ia para Maceió e igualmente Paripueira, carnaval gostoso, mas, sou totalmente contra a pobreza de um povo por estar alheio as oportunidades. Realmente a economia girá em torno da folia, é um mal necessário, então...que venha o carnaval para Maceió (mas pense numa coisa ruim o tal de Axé, não permitam a entrada,Alagoas tem cultura mais que suficiente para brincar o carnaval com frevo. Ataides
ResponderExcluirAqui, a elite não quer carnaval.
ResponderExcluirNão quer o "povo fazendo festa na sua porta". Aí inventam essa história de pré-carnaval que não é e nem será nunca o verdadeiro carnaval.