Eu vi no Carnaval de Pernambuco
Conceição Ferraz
Capibaribe302@hotmail.com
Eu vi as cidades sacudindo a pernambucanidade,
mostrando tudo o que tem de melhor.
Eu vi nas ruas e avenidas o povo, com os pés no
chão, desfilando a alegria.
Eu vi a arte, concebida em Pernambuco, contar a
história e a tradição da sua cultura diversificada nas várias
culturas da gente pernambucana.
Eu vi o fazer e o sentir dos pernambucanos
encantarem os corações dos visitantes.
Eu vi os sabores de Pernambuco degustados no
calor dos frevos de rua, bloco e canção, nos batuques dos
maracatus de baque solto e virado, nos coco de roda e
embolada, na ciranda e na roda de capoeira que esperava o
Galo da Madrugada apontar na Av. Guararapes, trazendo
com ele um mar colorido de gente se apertando e
esbanjando emoção.
Eu vi a percussão dos batuqueiros dando ritmo, os
metais anunciando a chegada do Carnaval, as madeiras
repercutindo a harmonia das notas fazendo a população de
brincantes dançar , cantar e festejar o prazer da vida sem
distinguir dia ou noite.
Eu vi a irreverência, a criatividade e o imaginário
popular nas fantasias pernambucanas que reafirmam e
pintam a liberdade do povo com pinceladas de críticas
sociais, políticas e econômicas.
Eu vi o rico e o pobre lado a lado, iguais. Eu vi a
netinha fantasiada de passista brincando com confete e
serpentina na companhia do vovô vestido de torcedor
subindo a ladeira da prefeitura de Olinda, no sentido
contrário das enormes e animadas latas de cerveja que
rolavam ladeira abaixo.
Eu vi os bonecos gigantes, os caboclinhos, os
blocos de frevo, os maracatus, os caiporas, os papangus, os
caretas fazendo uma festa popular, onde de tudo e todos
cabiam, apresentando ao mundo que é possível conviver,
democraticamente, com as diferenças, que é possível ser
plural na singularidade.
. Professora da Faculdade Santa Maria

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