segunda-feira, 7 de março de 2011

EDÉCIO LOPES UM MARCO NO CARNAVAL EM ALAGOAS

Compositores firmam consenso com filho do radialista de que não se pode falar de música carnavalesca sem citar sua importante contribuição
Wellington Santos e Mário Lima
Adailson Calheiros
Ivonilton Mendonça, Jucá Santos e Edmilson Vasconcelos lembram contribuição de Edécio e falam da nova safra decompositores alagoanos
Convidados a falar sobre a tradição carnavalesca alagoana, o compositor Jucá Santos, o carnavalesco Ivonilton Mendonça, fundador do Bloco das Rolinhas, e Edmilson Vasconcelos, filho do radialista e compositor Edécio Lopes, firmaram um consenso: não se pode para falar de frevo em Alagoas, ao longo dos últimos 50 anos, sem citar Edécio Lopes.

Especialista em Brasil, como anunciava a abertura do programa “Manhãs Brasileiras”, que se notabilizou e influenciou milhares de alagoanos entre os anos 70 e 80, o radialista e compositor de frevo Edécio Lopes foi um dos principais compositores e incentivadores da música carnavalesca em Alagoas.

Pernambucano de nascimento, mas alagoano de coração, o radialista Edécio Lopes fez dessas paisagens das lagoas Mundáu e Manguaba, das ladeiras do Farol, a inspiração exata para compor verdadeiras marchinhas e frevos que se tornaram muito mais que frevos ou marchas, tornaram-se hinos.

“Mas, sobretudo, sua expressão de amor a Alagoas”, destaca Edmilson Vasconcelos, filho do radialista, morto há dois anos. “Papai era assim. Entrava janeiro, ele já começava a tocar músicas de carnaval, sobretudo o frevo”, completa Edmilson, que não seguiu os passos do pai como compositor, mas é um autêntico divulgador das músicas de Carnaval.

Sua obra-prima mais famosa em homenagem a Alagoas, em forma de frevo-canção, foi “Cidade Sorriso”, que qualquer jovem, mesmo que menos atento ou desligado, já ouviu pelo menos o refrão:

“Eu vi, eu vi, eu vi, vi tanta coisa boa
Um mundão de lagoas, um barco a desliza
Jatiúca, Pajuçara, Ponta Verde joia rara, Avenida Jaraguá
Trapichão enfeitado, CRB no gramado, com CSA a jogar
Eu vi, eu vi, eu vi (...)”. A música fez grande sucesso na voz do cantor pernambucano Claudionor Germano.
Edécio era dono de um invejável acervo sobre a história da música popular brasileira e, nesse rol, o frevo tinha lugar cativo.

A nova safra

Na nova geração de compositores alagoanos, encaixa-se a figura de Ivonilton Mendonça, 49 anos, fundador e carnavalesco do Bloco das Rolinhas, autêntico divulgador das músicas de frevo e com várias composições já escritas para a festa de Momo.

“É claro que o frevo-canção e as marchinhas perderam muito espaço no início dos anos 80, com a invasão do axé, e quase definhou. Mas o movimento vanguardista de esquerda na metade dos anos 80 em Maceió segurou um pouco essa onda. Hoje é legal ver o Pinto da Madrugada, o Bloco das Rolinhas, a persistência do Bloco Vulcão [da Polícia Militar de Alagoas], que mantêm acesa a chama do Carnaval com um tom mais romântico”, avalia Ivonilton.

Ele lembra dos blocos importantes, puxados pela moçada da esquerda, que faziam segurar a chama do calor de nosso carnavais: Os Meninos da Albânia e, posteriormente, o Filhos da Pauta.

Foi nessa época que surgiram com força composições de gente como Ricardo Mota, Eliezer Setton, Mácleim e outros da nova gama que fizeram do carnaval uma forma de expressar a crítica social e o romantismo, sem ceder aos apelos do ritmo midiático do Carnaval baiano que invadiu o Brasil.

“O que a gente vê hoje é muita gente nova curtindo frevo, com muita alegria, bom-humor, o que caracteriza que as pessoas de uma certa geração não tiveram muita oportunidade para ouvir um bom frevo”, avalia, ao ressaltar a importância do “ressurgimento” do carnaval de rua de Maceió.

“O Jaraguá Folia está aí para provar que o povo e os jovens gostam de frevo, foi só aparecer a oportunidade para mostrar que as águas vão continuar rolando por muito tempo na nossa terra”, finaliza Ivonilton

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