Compositores firmam consenso com filho do radialista de que não se pode falar de música carnavalesca sem citar sua importante contribuição
Wellington Santos e Mário Lima
Ivonilton Mendonça, Jucá Santos e Edmilson Vasconcelos lembram contribuição de Edécio e falam da nova safra decompositores alagoanos
Convidados a falar sobre a tradição carnavalesca alagoana, o compositor Jucá Santos, o carnavalesco Ivonilton Mendonça, fundador do Bloco das Rolinhas, e Edmilson Vasconcelos, filho do radialista e compositor Edécio Lopes, firmaram um consenso: não se pode para falar de frevo em Alagoas, ao longo dos últimos 50 anos, sem citar Edécio Lopes.
Especialista em Brasil, como anunciava a abertura do programa “Manhãs Brasileiras”, que se notabilizou e influenciou milhares de alagoanos entre os anos 70 e 80, o radialista e compositor de frevo Edécio Lopes foi um dos principais compositores e incentivadores da música carnavalesca em Alagoas.
Pernambucano de nascimento, mas alagoano de coração, o radialista Edécio Lopes fez dessas paisagens das lagoas Mundáu e Manguaba, das ladeiras do Farol, a inspiração exata para compor verdadeiras marchinhas e frevos que se tornaram muito mais que frevos ou marchas, tornaram-se hinos.
“Mas, sobretudo, sua expressão de amor a Alagoas”, destaca Edmilson Vasconcelos, filho do radialista, morto há dois anos. “Papai era assim. Entrava janeiro, ele já começava a tocar músicas de carnaval, sobretudo o frevo”, completa Edmilson, que não seguiu os passos do pai como compositor, mas é um autêntico divulgador das músicas de Carnaval.
Sua obra-prima mais famosa em homenagem a Alagoas, em forma de frevo-canção, foi “Cidade Sorriso”, que qualquer jovem, mesmo que menos atento ou desligado, já ouviu pelo menos o refrão:
“Eu vi, eu vi, eu vi, vi tanta coisa boa
Um mundão de lagoas, um barco a desliza
Jatiúca, Pajuçara, Ponta Verde joia rara, Avenida Jaraguá
Trapichão enfeitado, CRB no gramado, com CSA a jogar
Eu vi, eu vi, eu vi (...)”. A música fez grande sucesso na voz do cantor pernambucano Claudionor Germano.
Edécio era dono de um invejável acervo sobre a história da música popular brasileira e, nesse rol, o frevo tinha lugar cativo.
A nova safra
Na nova geração de compositores alagoanos, encaixa-se a figura de Ivonilton Mendonça, 49 anos, fundador e carnavalesco do Bloco das Rolinhas, autêntico divulgador das músicas de frevo e com várias composições já escritas para a festa de Momo.
“É claro que o frevo-canção e as marchinhas perderam muito espaço no início dos anos 80, com a invasão do axé, e quase definhou. Mas o movimento vanguardista de esquerda na metade dos anos 80 em Maceió segurou um pouco essa onda. Hoje é legal ver o Pinto da Madrugada, o Bloco das Rolinhas, a persistência do Bloco Vulcão [da Polícia Militar de Alagoas], que mantêm acesa a chama do Carnaval com um tom mais romântico”, avalia Ivonilton.
Ele lembra dos blocos importantes, puxados pela moçada da esquerda, que faziam segurar a chama do calor de nosso carnavais: Os Meninos da Albânia e, posteriormente, o Filhos da Pauta.
Foi nessa época que surgiram com força composições de gente como Ricardo Mota, Eliezer Setton, Mácleim e outros da nova gama que fizeram do carnaval uma forma de expressar a crítica social e o romantismo, sem ceder aos apelos do ritmo midiático do Carnaval baiano que invadiu o Brasil.
“O que a gente vê hoje é muita gente nova curtindo frevo, com muita alegria, bom-humor, o que caracteriza que as pessoas de uma certa geração não tiveram muita oportunidade para ouvir um bom frevo”, avalia, ao ressaltar a importância do “ressurgimento” do carnaval de rua de Maceió.
“O Jaraguá Folia está aí para provar que o povo e os jovens gostam de frevo, foi só aparecer a oportunidade para mostrar que as águas vão continuar rolando por muito tempo na nossa terra”, finaliza Ivonilton
Especialista em Brasil, como anunciava a abertura do programa “Manhãs Brasileiras”, que se notabilizou e influenciou milhares de alagoanos entre os anos 70 e 80, o radialista e compositor de frevo Edécio Lopes foi um dos principais compositores e incentivadores da música carnavalesca em Alagoas.
Pernambucano de nascimento, mas alagoano de coração, o radialista Edécio Lopes fez dessas paisagens das lagoas Mundáu e Manguaba, das ladeiras do Farol, a inspiração exata para compor verdadeiras marchinhas e frevos que se tornaram muito mais que frevos ou marchas, tornaram-se hinos.
“Mas, sobretudo, sua expressão de amor a Alagoas”, destaca Edmilson Vasconcelos, filho do radialista, morto há dois anos. “Papai era assim. Entrava janeiro, ele já começava a tocar músicas de carnaval, sobretudo o frevo”, completa Edmilson, que não seguiu os passos do pai como compositor, mas é um autêntico divulgador das músicas de Carnaval.
Sua obra-prima mais famosa em homenagem a Alagoas, em forma de frevo-canção, foi “Cidade Sorriso”, que qualquer jovem, mesmo que menos atento ou desligado, já ouviu pelo menos o refrão:
“Eu vi, eu vi, eu vi, vi tanta coisa boa
Um mundão de lagoas, um barco a desliza
Jatiúca, Pajuçara, Ponta Verde joia rara, Avenida Jaraguá
Trapichão enfeitado, CRB no gramado, com CSA a jogar
Eu vi, eu vi, eu vi (...)”. A música fez grande sucesso na voz do cantor pernambucano Claudionor Germano.
Edécio era dono de um invejável acervo sobre a história da música popular brasileira e, nesse rol, o frevo tinha lugar cativo.
A nova safra
Na nova geração de compositores alagoanos, encaixa-se a figura de Ivonilton Mendonça, 49 anos, fundador e carnavalesco do Bloco das Rolinhas, autêntico divulgador das músicas de frevo e com várias composições já escritas para a festa de Momo.
“É claro que o frevo-canção e as marchinhas perderam muito espaço no início dos anos 80, com a invasão do axé, e quase definhou. Mas o movimento vanguardista de esquerda na metade dos anos 80 em Maceió segurou um pouco essa onda. Hoje é legal ver o Pinto da Madrugada, o Bloco das Rolinhas, a persistência do Bloco Vulcão [da Polícia Militar de Alagoas], que mantêm acesa a chama do Carnaval com um tom mais romântico”, avalia Ivonilton.
Ele lembra dos blocos importantes, puxados pela moçada da esquerda, que faziam segurar a chama do calor de nosso carnavais: Os Meninos da Albânia e, posteriormente, o Filhos da Pauta.
Foi nessa época que surgiram com força composições de gente como Ricardo Mota, Eliezer Setton, Mácleim e outros da nova gama que fizeram do carnaval uma forma de expressar a crítica social e o romantismo, sem ceder aos apelos do ritmo midiático do Carnaval baiano que invadiu o Brasil.
“O que a gente vê hoje é muita gente nova curtindo frevo, com muita alegria, bom-humor, o que caracteriza que as pessoas de uma certa geração não tiveram muita oportunidade para ouvir um bom frevo”, avalia, ao ressaltar a importância do “ressurgimento” do carnaval de rua de Maceió.
“O Jaraguá Folia está aí para provar que o povo e os jovens gostam de frevo, foi só aparecer a oportunidade para mostrar que as águas vão continuar rolando por muito tempo na nossa terra”, finaliza Ivonilton
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