sábado, 11 de maio de 2013

DEU NO JORNAL DA BESTA FUBANA


VASSALAGEM

beija mão
Imagine-se um auxiliar direto do atual governador do Estado da Flórida, Rick Scott, republicano, aceitar convite do presidente Obama, democrata, para ser seu ministro. Perplexidade. Porque as pessoas costumam levar a sério aquilo que pensam e o que fazem. No mínimo, o novo ministro pediria licença do Partido Republicano para assumir função num governo de Presidente de outro Partido, democrata.
É o que se esperaria de político que respeita suas próprias ideias. E que considera a confiança e o voto de seus eleitores. No Brasil, não. No caso do Sr. Afif, menos ainda.
Por que?
O Sr. Afif é antigo defensor do Estado mínimo. Liberal histórico. Sempre criticou a existência de burocracias extensas. Sempre reprovou, com veemência, o crescimento e a intervenção do Estado na economia. Foi candidato a presidente defendendo a diminuição do tamanho do setor público.
Além desse aspecto doutrinário, o Sr. Afif foi crítico contundente da então candidata Dilma Rousseff na campanha presidencial de 2010. A veemência do tom de sua oposição às ideias da presidente aparentava uma convicção pouco vista no campo político.
Pois bem. Mesmo com todas essas características pessoais de opositor partidário (sendo vice governador do PSDB) e adversário conceitual da presidente (eleita pelo PT), o Sr. Afif submeteu-se ao magnetismo do poder. Curvou-se. A foto mostra, com eloquência, a submissão em gesto que evidencia o dobrar-se. Pigmeu político?
O que me assustou foi ver a incoerência de personagem que costumava ser fiel a uma visão de Estado. Por mais de trinta anos. Deixar-se vencer por um estar reles, diante de seu roteiro político. Estar ministro, o 39º do governo.
O que me constrangeu foi assistir senhor de cabelos brancos quedar-se a tal. Ver sumida reverência que se deve aos que chegam aos cabelos de prata. Tributada não aos fios de neve, em si. Mas à sensatez de conduta, dos que os carregam, na leveza da independência.
O que me entristeceu foi ver alguém, no outono da vida, derrapar no inverno da vassalagem.

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