quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

JB NA HISTÓRIA


5 de dezembro de 1983: Morre a Condessa Pereira Carneiro, uma mulher a frente de seu tempo

Morre a Condessa Pereira Carneiro. Jornal do Brasil: Terça-feira, 6 de dezembro de 1983
"A ordem é não parar." Condessa Pereira Carneiro

Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, 84 anos, morreu numa manhã de segunda-feira, numa súbita parada cardiorrespiratória, no Centro de Reabilitação Sara Kubitschek, em Brasília, onde estava internada havia uma semana. O velório aconteceu em sua residência no Rio de Janeiro, em Botafogo e o sepultamento foi cemitério no São João Batista, no mesmo bairro. Estiveram presentes no funeral, além de familiares e amigos, pessoas do seu relacionamento social, personalidades e políticos de destaque nacional, como Leonel Brizola (governador RJ), Tancredo Neves (governador MG), José Sarney (Presidente do PDS) e Austregésilo de Athayde (Presidente da ABL).

"A ordem é não parar", tantas vezes reiteradas pela Diretora-Presidente do Jornal do Brasil, quantas fossem necessárias, a frase acabou por se tornar seu slogan pessoal e uma doutrina para a empresa que assumiu em 1953, depois da morte de seu marido, o Conde Pereira Carneiro. Os anos seguintes aceleraram os preparativos para um programa de modernização ao qual a Condessa daria o seu apoio humano e a coragem de prosseguir com o mesmo espírito de servir o leitor.

A presença da Condessa ao longo de todos os anos de definição, execução e aperfeiçoamento da reforma que o Jornal do Brasil empreendeu desde 1956 foi uma constante. O lado humano de sua personalidade projetou-se paralelamente à administração, que passou a padrões modernos.

Foi uma personalidade identificada com o empreendimento modernizador que contou com o seu apoio e o seu entusiasmo, nos bons e nos maus momentos. No período em que as restrições à liberdade de informar e opiniar mais pesaram sobre a atividade do Jornal do Brasil, a Condessa demonstrava pessoalmente, em todas as oportunidades, sua divergências com a Censura. Seu permanente destemor foi sempre para o Jornal do Brasil fonte de inspiração e exemplo de coragem de aceitar desafios.

-"Eu nunca tive medo de nada. Além disso, eu procurava fazer como meu marido: eu tratava o jornal como uma grande família".

Para os que a conheceram fica também a imagem da mulher alegre, que gostava de usar vestidos de cores fortes (principalmente o vermelho), todos confeccionados por Mena Fialho, sua amiga, e que sempre tinha ao alcance da mão bombons e docinhos, que consumia com prazer, mesmo sentimento com que cuidava da coleção de livros do pai, presenteados a bibliotecas de todo o país e a amigos. Vaidosa, preocupava-se sempre com a aparência e gostava de assistir a desfiles de moda em Paris. Muito católica, ia sempre à missa dominical de manhã e chegou a ser recebida pelo Papa Pio XII.

Desde o primeiro instante que recebeu a liderança do Jornal do Brasil em suas mãos, a Condessa dedicou sua vida a ele, que foi seu grande filho. E revolucionou a sua história.

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