O
CAFEZINHO
- “É
o senhor Nicácio? Sou Leonora, a nova inquilina. Foi bem de viagem? Ainda não
nos conhecemos, estou lhe telefonando por dois motivos. Primeiro, gostei muito
do apartamento, bem mobiliado, perto da praia, como eu queria. Inteiramente
satisfeita. E o senhor recebeu o dinheiro direitinho do corretor?”
-“Sim,
quero dar-lhe o recibo. A senhora veja o que está precisando, gosto de deixar o
apartamento sempre nos trinques.”
- “É
esse o outro motivo, o liquidificador está velho, sem força, será que dá para
me arranjar outro?”
- “Não
há problema, vou comprar um novo e levo no apartamento, pode ser à noite? Vamos
marcar para oito horas?”
- “Tudo
bem fico esperando às oito da noite, tenho um compromisso às oito e meia, peço
para não atrasar.”
-Então
passo as sete, 19 horas, ok?
Depois do jantar Nicácio avisou à esposa,
estava levando um liquidificador para nova inquilina, voltava já. Tirou o
carro, rumou à praia de Pajuçara.
Ao tocar na campanhia, esperou um pouco, de
repente apareceu Leonora vestida apenas de camisa social masculina, as belas
pernas realçavam, ele notou as penugens douradas que nem um milharal brilhante,
a camisa comprida não deixava saber se estava de short ou calcinha, o sangue de
Nicácio ferveu. Ela notou o impacto no locatário, deu um sorriso bonito,
maroto, sem vergonha. “Entre Seu Nicácio faz de conta que a casa é sua”. E gargalhou
desbragadamente da piada feita. Ele entregou o pacote, entrou maquinalmente.
Leonora fechou a porta, indicou com a mão o sofá. Nicácio sentou, disse ter
compromisso. Ela sorrindo impôs, desculpasse, mas só sairia depois do
cafezinho. Levantou a caixa do
liquidificador e num impulso com o braço direito colocou-a em cima do armário,
com esse gesto a camisa subiu mostrando o corpo moreno, Nicácio estremeceu ao
perceber, ela estava de calcinha branca pouco encobrindo o traseiro exuberante.
Leonora percebeu a reação, sorriu, faria um café maravilhoso, sua
especialidade. Colocou o bule no fogo, retornou sentando junto no sofá. Descalça
brincava com seus pés bem tratados, deu uma taquicardia em nosso amigo, ele tem
uma paixão incontida, uma compulsão a pés femininos. Leonora puxou conversa.
- “Me disseram que o senhor era um velho,
estou vendo um coroa enxuto, embora meio forte (não quis dizer gordo), mas com
aparência bonita. O senhor faz exercícios, anda? Eu não deixo de andar todo dia,
estou adorando o calçadão da Pajuçara, todo entardecer caminho das cinco às
seis horas. De manhã não posso, acordo tarde, sou chegada a umas baladas,
noitadas.”
- “Minha querida, muito obrigado pela
gentileza, sou um velho beirando os setenta anos, cuido bem da saúde, ando
pelas manhãs, faço pilates três vezes por semana. Minha geração de coroa é
privilegiada, uma geração revolucionária que transformou o mundo, inventou
novas tecnologias, bons remédios para garantir a saúde e o desempenho físico.” Continuaram conversando
amenidades com algumas malícias, ela distraidamente deixava aparecer a camisa
desabotoada, sutiã não existia, dentro da camisa de tecido fino com listras
estreitas, azul e branco, percebia-se dois belos cuscuzes pontiagudos. Certo
momento o bule ferveu, Leonora coou o cafezinho, colocou na xícara, ele bebeu
embevecido, com a libido despertada e incontida. Nicácio, de repente, perguntou
onde ela trabalhava. A inquilina deu uma gostosa gargalhada, encostou perto do
ouvido, do rosto, falou com meiguice, “presto certo tipo de serviço, quer
experimentar?”
Nicácio adorou aquele começo de noite. Acostumou-se, viciou-se, toma cafezinho uma
ou duas vezes por semana. Chegaram a um acordo, Leonora paga apenas a energia
consumida e o condomínio, o aluguel fica por conta dos cafezinhos. Nicácio
ficou mais pobre em sua aposentadoria, entretanto, um pobre feliz da vida, leva
na boca constantemente o sabor de um gostoso cafezinho.

Deu uma vontade de tomar um''café''!!
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