quinta-feira, 13 de outubro de 2011

HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA


O CAFEZINHO
                            
- “É o senhor Nicácio? Sou Leonora, a nova inquilina. Foi bem de viagem? Ainda não nos conhecemos, estou lhe telefonando por dois motivos. Primeiro, gostei muito do apartamento, bem mobiliado, perto da praia, como eu queria. Inteiramente satisfeita. E o senhor recebeu o dinheiro direitinho do corretor?”
-“Sim, quero dar-lhe o recibo. A senhora veja o que está precisando, gosto de deixar o apartamento sempre nos trinques.”
- “É esse o outro motivo, o liquidificador está velho, sem força, será que dá para me arranjar outro?”
- “Não há problema, vou comprar um novo e levo no apartamento, pode ser à noite? Vamos marcar para oito horas?”
- “Tudo bem fico esperando às oito da noite, tenho um compromisso às oito e meia, peço para não atrasar.”
-Então passo as sete, 19 horas, ok?
   Depois do jantar Nicácio avisou à esposa, estava levando um liquidificador para nova inquilina, voltava já. Tirou o carro, rumou à praia de Pajuçara.
    Ao tocar na campanhia, esperou um pouco, de repente apareceu Leonora vestida apenas de camisa social masculina, as belas pernas realçavam, ele notou as penugens douradas que nem um milharal brilhante, a camisa comprida não deixava saber se estava de short ou calcinha, o sangue de Nicácio ferveu. Ela notou o impacto no locatário, deu um sorriso bonito, maroto, sem vergonha. “Entre Seu Nicácio faz de conta que a casa é sua”. E gargalhou desbragadamente da piada feita. Ele entregou o pacote, entrou maquinalmente. Leonora fechou a porta, indicou com a mão o sofá. Nicácio sentou, disse ter compromisso. Ela sorrindo impôs, desculpasse, mas só sairia depois do cafezinho.  Levantou a caixa do liquidificador e num impulso com o braço direito colocou-a em cima do armário, com esse gesto a camisa subiu mostrando o corpo moreno, Nicácio estremeceu ao perceber, ela estava de calcinha branca pouco encobrindo o traseiro exuberante. Leonora percebeu a reação, sorriu, faria um café maravilhoso, sua especialidade. Colocou o bule no fogo, retornou sentando junto no sofá. Descalça brincava com seus pés bem tratados, deu uma taquicardia em nosso amigo, ele tem uma paixão incontida, uma compulsão a pés femininos. Leonora puxou conversa.
     - “Me disseram que o senhor era um velho, estou vendo um coroa enxuto, embora meio forte (não quis dizer gordo), mas com aparência bonita. O senhor faz exercícios, anda? Eu não deixo de andar todo dia, estou adorando o calçadão da Pajuçara, todo entardecer caminho das cinco às seis horas. De manhã não posso, acordo tarde, sou chegada a umas baladas, noitadas.”
    - “Minha querida, muito obrigado pela gentileza, sou um velho beirando os setenta anos, cuido bem da saúde, ando pelas manhãs, faço pilates três vezes por semana. Minha geração de coroa é privilegiada, uma geração revolucionária que transformou o mundo, inventou novas tecnologias, bons remédios para garantir a saúde e o desempenho físico.”                                                                                                                Continuaram conversando amenidades com algumas malícias, ela distraidamente deixava aparecer a camisa desabotoada, sutiã não existia, dentro da camisa de tecido fino com listras estreitas, azul e branco, percebia-se dois belos cuscuzes pontiagudos. Certo momento o bule ferveu, Leonora coou o cafezinho, colocou na xícara, ele bebeu embevecido, com a libido despertada e incontida. Nicácio, de repente, perguntou onde ela trabalhava. A inquilina deu uma gostosa gargalhada, encostou perto do ouvido, do rosto, falou com meiguice, “presto certo tipo de serviço, quer experimentar?”
    Nicácio adorou aquele começo de noite.  Acostumou-se, viciou-se, toma cafezinho uma ou duas vezes por semana. Chegaram a um acordo, Leonora paga apenas a energia consumida e o condomínio, o aluguel fica por conta dos cafezinhos. Nicácio ficou mais pobre em sua aposentadoria, entretanto, um pobre feliz da vida, leva na boca constantemente o sabor de um gostoso cafezinho.

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