sexta-feira, 20 de março de 2020

HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA - Carlito Lima


OITENTA (3)


 Esses meus oitentas anos estão me remetendo a fatos marcantes em minha vida. Hoje me lembrei de minha entrada na Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza no longínquo ano de 1956. Era um menino.
No primeiro dia distribuíram, para cada aluno, um enorme saco com fardamentos, equipamentos, manuais. Levei o saco nas costas e arrumei no armário, forrei a cama, coloquei minha primeira farda de brim verde: calça, camisa de mangas compridas, por cima de uma cueca samba canção, cinturão, um gorro na cabeça, por fim calcei um coturno preto de laços entrelaçados. Logo o sargento gritava: “Primeiro ano em forma!” Pela primeira vez entramos em forma. Passamos o dia recebendo instruções de como seria a vida na Escola. Dia seguinte entramos na rotina: alvorada às 5:30 da manhã. Vestido de calção de educação física, camiseta e tênis a turma foi levada para o campo de futebol onde os tenentes ministraram vários tipos de ginásticas planejadas. Retornamos para o banho. No alojamento vestimos o roupão com o sabonete na mão, corremos para o banheiro coletivo. Logo, fardados, nos levaram para o café da manhã. Satisfeito com a gororoba, marchando, cada turma dirigia-se para as salas de aulas. No primeiro ano só matérias básicas: aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, português, inglês. Ensino puxadíssimo com excelentes professores. Às tardes nos ministravam Instrução Militar.
Foi difícil a adaptação daquele menino da praia de uma infância extraordinária, livre, leve e solta na Avenida da Paz em Maceió. Várias vezes senti vontade de pedir desligamento da Escola, mas ao mesmo tempo a vontade de vencer aqueles obstáculos me dava força.
    Certa tarde de sábado fiquei indignado com um trote de um veterano, mandou que eu arrumasse seu armário, engraxasse coturnos, etc. Perdi meu sábado. Delatar jamais. Então eu decidi pedir desligamento e voltar para minha Maceió. Porém, houve uma santa coincidência, na segunda-feira recebi uma carta de mau pai que decidiu minha vida para sempre.

    Carlito,
    Meu afetuoso abraço. Recebemos a tua carta que nos encheu de alegria ao sabermos da tua satisfação aí na Escola, mas também de saudade do filho querido, que tanta falta tem feito.
    Porém, Carlito velho, a vida é assim mesmo; é luta brava, principalmente na carreira que escolhestes.
     Temos absoluta certeza, e inabalável fé em Deus, que serás muito feliz.
    Não fraquejes ante nenhum obstáculo; enfrenta-o sempre de ânimo forte. Acostuma-te desde agora aos rígidos princípios da disciplina; aceita-a conscientemente, pois ela é a mais bela característica do soldado.
    Estuda, dedica-te com muito esmero às tuas obrigações escolares; este hábito salutar será constante na tua vida profissional e fator decisivo na carreira.
    O valor de um oficial está em função da sua cultura, do seu saber, do seu carinho aos afazeres profissionais.
    Procura, desde já, meu filho, ser “Caxias”. Mas “Caxias” sem intransigência. Correto no cumprimento dos deveres, porém humano, delicado, sereno e leal no tratamento com seus subordinados e companheiros. O oficial que assim procede é respeitado, acatado e querido por todos.
    Pensa sempre no bem do Brasil; sirva mesmo de rumo aos teus atos e ações o pensamento constante na grandeza da Pátria querida.
    Porém, jamais te cumplicies aos aventureiros da política malsã, que infelizmente ainda infesta o Brasil. Seja sempre digno, mantenha sempre bem alto o alvo de tuas ambições e afetos; porém também sempre te lembres que são injustificáveis as “quarteladas” e a “ditadura”.
    São estes, meu filho, os conselhos gerais, que a experiência de mais de trinta anos de serviços do teu pai, que o carinho e o afeto que te dedico, que a vontade imensa de te ver vitorioso na carreira que espontaneamente escolhestes, me inspiram.
     São advertências saídas no mais íntimo do meu coração.
    Prepara-te, pois, para a vida, meu filho, certo de que nem tudo serão flores. Os espinhos, as ilusões surgirão fatalmente. Mas que nada abata o teu ânimo forte, o teu caráter, a tua dignidade, a tua coragem, o teu ardor cívico, o teu amor à carreira que abraçastes.
    Esta a única riqueza que teu pai pode legar.
    Guarda com carinho esta primeira carta que te escrevo e que a Divina Providência te faça muito feliz. Tua mãe e teus irmãos te abraçam. A saudade de seu pai.  Mário Lima.
( tenho essa carta guardada desde abril de 1956)

   

quinta-feira, 19 de março de 2020

OPINIÃO DO HARGREAVES

Novo post em Do Hargreaves

Perplexidade

por hefh
Perplexo, vejo a notícia a respeito da presença do Presidente da Câmara dos Deputados formulando um pedido de desculpas em nome do Poder Legislativo ao governo chinês em face das declarações do Deputado Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente da República extremamente agressivas e desrespeitosas acusando o Governo chinês de criar o corona vírus.
Pelo amor de Deus! Só faltava essa!
No momento em que todos se voltam em busca da eliminação desse parasita que aterroriza o mundo, o Deputado se lança em criar uma crise internacional entre o Brasil e o Governo chinês, de graça!
Um retrospecto me leva ao governo do Presidente Getúlio Vargas que terminou suicidando no auge de uma crise que trazia em seu bojo o Benjamin Vargas, o Bejo, seu irmão nomeado para a chefia de policia e que culminou tramando  o atentado na Rua Toneleros, no Rio de Janeiro, contra o então jornalista e Deputado Carlos Lacerda.
 Jânio Quadros além de seu temperamento tinha que driblar Tutu, sua filha, Deputada Dirce Quadros que não tinha papas na língua. Vale lembrar o trecho de uma entrevista concedida ao jornalista Augusto Nunes na qual se refere ao seu pai como possível candidato a Presidência da Republica:
“ Dirce Tutu Quadros: Bom, Jânio Quadros é um grande administrador, ele é austero etc, mas tenho um grande conflito político com ele. Sou muito mais democrata do que ele e entre nós existe uma geração, com consequências de mentalidade terríveis. Por exemplo, ele agora prega seis anos para Sarney, ele quer prorrogar o mandato dos prefeitos. Eu prego três anos para Sarney, que é muito, já abusou demais do povo brasileiro. Ele está com 71 anos de idade. Pelo amor de Deus, esse país precisa de renovação! Ele precisa de gente nova, de ideias novas, de coisas novas.”
Além disso, na campanha fez estourar uma bomba ao acusar   um sumiço de dois milhões de dólares, que acabou criando uma tremenda confusão culminando com a sua internação em uma clínica psiquiátrica, que diziam ter sido à força...
E outros tantos posteriormente, tiveram alguns problemas diretamente relacionados aos filhos. Será que essa sina não terá um paradeiro?
Por outro lado, já está chegando a hora, se já não passou dela, de parar com essa gana de manifestações de pró e contra. Ontem em evento oficial, o Presidente se ocupou de falar sobre panelaço contra o governo e conclamando um outro a favor.
Isso não pode acabar bem...
A psicologia das massas é um tema muito interessante de ser estudado.
Dentre as personalidades com quem tive oportunidade de conviver, destaco com muito orgulho o Vice Presidente, Ministro e atual Acadêmico Marco Maciel. Com ele, aprendi os valores do comedimento, da ponderação, da isenção no raciocínio das questões políticas e saber dosar o emocional quando for necessário. Lembro-me ainda que um seu  livro de cabeceira  era o intitulado  " Psicologia das Massas" de autoria de um francês, cujo nome não me recordo com  precisão, embora me arrisque a dizer que se tratava de um sociólogo,  Gustave Le Bon (1886),  que foi um dos primeiros a tratar do assunto.
E sou levado a esta lembrança porque nunca foi tão importante esses predicados como agora, no momento em que vivemos a vida política no país.  Nunca foi tão exigido a real compreensão dos postulados desse pensador. E fui buscar um pequeno trecho  em Psicologia das Massas (Psychologie des foules) em que Le Bon  explica que " quando o homem se junta à massa perde sua identidade mental e assume a identidade do todo. Regressa a um estado primitivo de pensar e agir, perde sua capacidade crítica. Em meio à multidão, as pessoas perdem seus padrões morais e suas inibições, tornando-se extremamente emotivas, e este emocionalismo acaba fazendo com que ela se torne irracional. "
Portanto a manipulação da sociedade não é um bom caminho.
E ainda retornando à questão da China, alivia ver o Vice-Presidente General Mourão declarar que a opinião do Deputado não é a do governo.
Um desgaste  desnecessário  deixando o Presidente em  uma situação difícil em que tem que preservar o Governo e ao mesmo tempo não desejar confrontar o filho que além de ser um Deputado Federal exerce o cargo de Presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e que chegou a receber o agrément dos Estados Unidos para ser o nosso Embaixador naquele país.
Do jeito que a coisa vai, se espera que haja um entendimento sério entre pai e filhos, para que o Presidente da República não se veja impelido a ter que   salvar um mandato parlamentar.
Não é demais relembrar Cícero no Império Romano:
“ Quousque tandem abutere Catilina patientia nostra ?” ( até quando catilina abusarás de nossa paciência?)

segunda-feira, 16 de março de 2020

OPINIÃO DO PERCIVAL

PERCIVAL PUGGINA



É CHANTAGEM, SIM!

Domingo, 15/03, retornando de Goiânia, uma substituição de voos entre Congonhas e Porto Alegre me reteve no aeroporto de São Paulo. De lá, escrevi a mensagem abaixo, lida aos manifestantes do Parcão na capital gaúcha.
Meus queridos! É chantagem, sim. E assim tem sido desde o início. Engavetamento de propostas. MPs que vencem sem explicação. Projetos do governo virados do avesso. O ano de 2019 se esgotou sem que tenham votado algo tão simples quanto a prisão após a condenação em segunda instância. Por quê? Por que anunciaram que o blocão tem 300 votos? A quem e de quê esses votos ameaçam? Desde o início do governo tem sido uma busca desenfreada por recursos! Por que não se contentam com os subsídios e as verbas de gabinete? Por que buscam, sempre, dispor de bilhões do nosso dinheiro?
É claro que Bolsonaro entendeu o recado. O recado é o impeachment sendo urdido para alegria da grande imprensa. Esta, em seu afã cotidiano de infernizar a vida do presidente, mudou de ideia. O que antes era toma lá, dá cá, síndrome do Benedito Domingos, coisa feia, virou “autonomia do parlamento”. E quando o governo perde, a derrota recebe o nome de incapacidade de negociação! Quem pode negociar direito com a faca no pescoço?
Há uma arapuca permanente, montada para enganar a população. Chega a ter luzes pulsantes em volta da porta. Em nome da “democracia” dizem que nós – NÓS? – estamos atacando às instituições. Disparate para iludirem, também, a si mesmos! Atacamos procedimentos individuais. Desde quando um congressista, ou muitos congressistas, são o Congresso? Desde quando os indivíduos eleitos significam o parlamento? Da mesma forma, desde quando um cidadão ou muitos cidadãos são O povo? E vale o mesmo para ministros do STF.
É chantagem sim!
A ameaça de não ter projetos aprovados é sinal de alarme para o governo. E há, sempre, um preço a pagar. Sempre um valor imenso, bilionário. Por isso o ambiente todo é de chantagem. Só não vê quem deixa de lado todos os princípios e valores quando pega o avião para Brasília.
As exceções já salvaram o Brasil muitas vezes. E salvarão de novo. Há bons deputados e bons senadores, mas desafortunadamente são exceções. Estarmos junto das exceções, ao longo da lava-jato, em 2016, em 2018, foi salvação para nosso amado Brasil.
Lembremo-nos! Tenhamos presente. Tem sido chantagem, sim. O problema que tanto nos entristece e desconforta, é termos nosso país de volta e sabermos que tantas dificuldades sobrevêm apenas porque o presidente não loteou o Estado, o governo e a administração, nem fez jorrar dinheiro em muitas mãos.
Saibam: tudo já estaria resolvido numa sala fechada, se ajustado o preço a pagar por 300 unidades de voto parlamentar!
Se apoiarmos os bons e denunciarmos os maus estaremos apoiando a democracia e ajudando o Brasil. Bolsonaro não será submetido! Deus abençoe o Brasil e os brasileiros.

quinta-feira, 12 de março de 2020

HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA


                                                    OITENTA (2)



         Ao completar 80 anos, vivo a recordar passagens de minha vida agitada e bem vivida, alguns fatos que ficaram em minha mente e no coração, fazem parte de meu ser. No longínquo de 1955, eu era um adolescente, 15 anos, vindo de uma infância livre, leve e solta, pelos arredores da praia da Avenida da Paz. Naquela época em Maceió havia apenas a Faculdade de Direito, as outras opções de “futuro brilhante” era submeter-se aos concursos do Banco do Brasil ou da Escola Militar. Cheio de empolgação, família de militares, era um crack na matemática, encarei o difícil exame para Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza. Certa noite de festa de rua de natal na Praça Sinimbu, um amigo, Jarbas Bagdá, deu-me a notícia mostrando o jornal, O Globo do Rio, estava lá meu nome entre os aprovados, era a glória.  Corri desembestado para dar a notícia em casa. Dona Zeca, festeira que só ela, improvisou maior festa, meu pai orgulhoso, amigos e parentes, bebidas e comidas à vontade. Altas horas, ao terminar a comemoração familiar, atravessei a Avenida da Paz, andei pela praia de areia fofa com uma garrafa de vinho numa mão, sapatos na outra. A lua iluminava a imensidão do mar. Eu pensava, me perguntando, ”O quê será?”.
    Retornei, subi os degraus do coreto, sentei-me no parapeito, olhando para o infinito, não sei de felicidade ou tristeza chorei como menino.  Naquele momento estava deixando de ser menino. Ser menino foi uma passagem extraordinariamente bela de minha vida.  Logo o dia amanheceu lindamente alaranjando o céu. Dei os últimos goles na garrafa, entre feliz e bêbado, fui dormir. 
    O Exército deu-me a viagem para Fortaleza em duas etapas: de Maceió ao Recife de trem, e do Recife à Fortaleza, via marítima. Numa madrugada de março, deixando minha mãe chorosa, meu pai levou-me à bela Estação Ferroviária de Maceió. Embarquei no trem para Recife juntamente com Rubião Torres e Élio Wanderley, outros alagoanos aprovados nos exames da EPF. Partimos no famoso Trem das Alagoas às 06:00 horas da manhã com chegada prevista 18:00 horas, nunca cumpria o horário. 
    Escalas incontáveis, Bebedouro, Fernão Velho, Satuba, União dos Palmares, pequenas cidades perdidas nos canaviais.
    Nas estações, desciam e entravam novos passageiros. O trem parava o mínimo tempo, os ambulantes aproveitavam para vender frutas e outras comidas. ”Olha a manga madurinha... Cavaco, olha o cavaco... Tapioca quentinha feita na hora...Olha a água de quartinha...Chapéu de palha...” Esses ambulantes me impressionaram. Em cada estação pareciam as mesmas pessoas, os mesmos artigos oferecidos. Também havia pedintes. ”Dê uma esmola para o aleijadinho... Um auxílio para quem tem fome”... Os meninos pediam tostões e o ceguinho cantava na viola: ”Seu José, Dona Maria... Tenha pena do ceguinho que não vê a luz do dia...”
    O maquinista puxava o apito, o foguista botava lenha, a vistosa Maria Fumaça puxava os vagões como se fora a mãe pata e os patinhos em fila. O trem invadia canaviais, verde cana, cana caiana. O azul do céu encontrava-se com o verde dos morros nos horizontes ondulados. O poeta Ascêncio Ferreira imortalizou essa viagem com o poema, "O Trem das Alagoas". "Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... Mergulham mocambos nos mangues molhados... Moleques mulatos vêm vê-los passar... Adeus, adeus, mangueiras, coqueiros, cajueiros em flor. Adeus morena dos cabelos cacheados... Vou danado pra Catende com vontade de chegar...Cana caiana, cana roxa, cana fita, cada qual é mais bonita, todas boa de chupar...Vou danado pra Catende, com vontade de chegar. Já deixei a praia longe...e vem perto outro mar.”
    O outro mar ainda desconhecido estava longe, viagem cansativa, bancos de madeira dura. Conversávamos, especulávamos o que haveria de ser, três meninos. No fundo do coração batia a saudade de meus pais, de meus irmãos, de meu mundo, de minha praia. Às vezes tinha vontade de chorar, olhava o verde canavial no infinito e disfarçadamente enxugava uma lágrima. Eu era apenas um menino.
    Na hora do almoço, fomos para o vagão restaurante. Tomamos bebidas conversando amenidades, a cerveja alegrou o restante de viagem. Era noite quando o trem entrou na última estação, afinal Recife. Primeira etapa da viagem cumprida, a danada da saudade a apertar, não valia chorar.
    Ao descer do trem, avistei Seu Marcos, sogro de minha irmã Rosita. Levou-me para sua casa, belo prédio antigo na Rua da Imperatriz, centro do Recife. Tive tratamento de príncipe, no outro dia embarcaria para Fortaleza no navio de guerra Barroso Pereira com futuros colegas. Cansado fui deitar. Com o travesseiro abafei meu choro, minhas lágrimas, meus temores. Adormeci. Nessa noite fiz xixi na cama.





quinta-feira, 5 de março de 2020

HISTÓRIA DO VELHO CAPITA



OITENTA


Quando eu era jovem, bem jovem, imaginava um homem de sessenta anos, balançando-se numa cadeira confortável, apenas esperando a morte chegar. Hoje cheguei aos oitenta, ultrapassei a barreira de meu prognóstico de vida para um velho homem. Agora, deitado numa rede na varanda de minha confortável casa na praia, leio um poema de meu amigo Lêdo Ivo que gravei na parede da sala.
Na Barra de São Miguel, diante do mar,
só agora aprendi:
o dia mais longo do homem
dura menos que um relâmpago.
O tempo inexorável com fome ávida vai devorando o que resta de uma vida que dura menos que um relâmpago. A alguns homens memórias distantes se consentem. Eu ainda sinto a brisa do mar da praia da Avenida da Paz. Está gravada em minha mente, certa tarde depois de um almoço na casa de minha avó, seus filhos e netos reunidos, sentados em cadeiras de palhinha, embaixo de uma frondosa amendoeira da Avenida da Paz, conversando alegremente sobre todos os acontecimentos da cidade. De calça curta com cinco ou seis anos, eu brincava com irmãos e primos, subíamos as escadas do belo coreto branco, pulávamos na areia fofa da praia.
 Naquele cenário de um mar azul esverdeado e água cristalina, passei minha solta e alegre infância. Na extensa praia jogávamos futebol, olhávamos as moças de maiô, brincávamos de trincheiras, jogando bolas de areia no inimigo, soltávamos ao vento as arraias (pipas) coloridas no céu. À noite o calçadão da Avenida da Paz era uma festa. A mocidade jogava garrafão, brincava de roubar bandeira, andar de bicicleta. Ao ganhar um par de patins no natal, coloquei-o na hora fui à calçada iniciei levando quedas, arranhando os braços até aprender a me equilibrar.
Todos os dias pela manhã, tomava o bonde na Avenida rumo ao Centro da cidade onde eu estudava no Colégio Diocesano (Marista). Ao meio-dia, suado, exausto, tomava o bonde de volta, linha Vergel do Lago - Ponta da Terra, ao passar por minha casa descia do bonde andando, uma proeza para encantar as mocinhas sentadas esperando parar no ponto. Com minha curiosidade aguda eu gostava de estudar, na matemática era o rei da sala de aula. Em casa meu pai tinha uma boa biblioteca, comecei a ler bons livros, o Tesouro da Juventude, li todos de Monteiro Lobato, mas fiquei fascinado com O Minotauro. Depois entrei nos grandes romances da humanidade.  Às tardes eu estudava numa puxada que meu pai construiu no fundo do quintal, dava uma passada nos livros, depois seguia para o lamaçal à beira do Riacho Salgadinho colocando “ratoeiras” feitas de lata de óleo nos buracos de caranguejo. Não havia alegria maior quando depois retornava para olhar as “ratoeiras” e tinha alguma com um goiamum enorme, preso. Levava para casa e deixava-o num engradado de madeira e taipa, para cevar. Quando completava mais de 20 caranguejos cevados minha mãe cozinhava uma bela garanguejada, os amigos se empanturravam. Às vezes organizávamos campeonato de futebol de botão. Geralmente na casa do Lizardo e Mário Jardim onde eles construíram um perfeito campo, liso, sem algum defeito na madeira. Passávamos a tarde e noite jogando botão. As mães de nossos amigos eram como se fossem nossas mães. Quando o diabo atentava íamos passear pelos sítios da vizinhança roubando manga, caju, melancia, coco, enchíamos o bornal e comíamos, alegres, sentados no meio fio do beco entre a Avenida e a Rua Silvério Jorge. Aos treze anos quando a puberdade apareceu em forma de pelos e cabelos junto com a libido, o assunto era mulher. Com 14 anos arranjei minha primeira namorada no bairro do Farol. À noite, depois do jantar, subia de bicicleta a ladeira do Farol, para passar duas ou três horas namorando junto com a turma, para o pai da moça não desconfiar, em vez em quando segurávamos na mão do outro, cheio de felicidade de menino.
Elizeth Cardoso, que faz centenário este ano, cantava um samba que diz mais ou menos assim:  Se eu morrer amanhã... Não levo saudade... Eu fiz o que quis... Na minha mocidade... Amei e fui amado... Beijei a quem eu quis...Se eu morrer amanhã de manhã... Morrerei feliz, bem feliz.
Não, não, nem pensar em morrer, ainda tenho muita coisa a fazer, acontece que fazendo um balanço de minha vida nesses oitenta anos, ela foi, e é ótima, apesar de alguns percalços. Só a infância querida que os anos não trazem mais, valeu a pena, sim senhor, nesses oitenta anos.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

CACÁ DIEGUES -ALAGOANO QUE HONRA SUA TERRA.


DEU NO JORNAL DA BESTA FUBANA.




A DEMOCRACIA E O GENERAL

Tarso Teixeira
Agitação na Casa Branca.
O general August. H. River, um dos grandes colaboradores do governo Trump na área de Defesa e Segurança Nacional, fez críticas severas à presidente da Câmara dos Representantes, Nanci Pelosi, em uma conversa particular, vazada para a imprensa.
Entretanto, a presidente do parlamento, inimiga feroz de Trump e de seu governo, não se atreveu a criticar o general. Afinal, nos Estados Unidos, atacar um homem da sua biografia, que comandou tropas internacionais, condecorado, é encrenca na certa.
A população considera o general River um herói nacional, e por isso, Pelosi se calou.
O leitor mais sagaz, a essa altura, já sabe que o general August desta história não existe. Ou melhor, existe, mas não é americano. Se fosse, um homem da biografia do general Augusto Heleno Ribeiro, ex-comandante militar da Amazônia, ex-comandante das Forças de Paz para estabilização do Haiti (Minustah), seria tratado com a deferência que os americanos costumam dar a seus heróis, e jamais seria criticado da forma baixa e solerte como foi atacado pelo presidente do nosso parlamento.
O povo brasileiro entendeu perfeitamente o que o general Heleno quis dizer, num momento particular de indignação, quando falou sobre “chantagens” do Congresso Nacional.
O presidente do parlamento, filho de um prefeito que não deixou saudades no combalido Rio de Janeiro, é hoje a grande expressão do lamentável “Centrão”, que desde o governo Sarney vive de barganhas nada republicanas para aprovar medidas do Executivo.
O ápice desta fórmula foi atingido com FHC, que deu a esta prática o nome pomposo de “governabilidade”, e que Bolsonaro sempre chamou, mais adequadamente, de “toma-lá-dá-cá”.
Incomodado por ficar exposto nas suas reais intenções, o presidente da Câmara dos Deputados atacou o general, dizendo que suas palavras ameaçavam a democracia.
Ora, o general Heleno, com risco da própria vida, ajudou a restabelecer instituições democráticas no combalido Haiti, e exerceu funções de relevo no Exército em plena vitalidade da democracia.
Não, senhores. Nem o general Heleno, nem nenhum dos generais investidos em cargo no governo, poderia jamais ameaçar a democracia, até porque colaboram com um governo democraticamente eleito.
O que põe em risco a democracia é um congresso onde alguns parlamentares sabotam medidas do governo enquanto não recebem seu quinhão do orçamento para emendas impositivas.
O que põe em risco a democracia é um senado que inclui os filhos dos senadores até 33 anos de idade nos planos de assistência médica e odontológica do Senado.
O que põe em risco a democracia, não são os homens da farda. E sim os homens dos fardos.

sponholz


HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA.


DE COMO CRISTINA, BELA, RECATA E DO LAR, TRANSFORMOU-SE NA DONA DA NOITE.


 Era uma vez em Maceió, uma jovem, bela, recatada e do lar, marido de tradicional família do açúcar alagoano. Cristina, aluna do Colégio Santíssimo Sacramento, aprendeu costurar, cozinhar, ser rainha da casa. Pai evangélico, a filha saía à rua, às festas, só acompanhada dos irmãos, assim, sua virgindade permaneceu invicta até o casamento. Sua beleza e sensualidade  exuberantes chamavam atenção . Numa festa de Carnaval conheceu  Antônio Alfredo, mancebo de família rica, estudante de Direito em Coimbra, bonito, másculo, o xodó das mulheres, passava  férias na cidade.
     Antônio Alfredo encantou-se com Cristina, a bela, iniciaram namoro de portão de casa, horário e vigilância rígidos. Dentro de dois anos casaram-se, apesar da resistência dos pais do noivo, não era bem querer a entrada de uma filha do pastor na família. Antônio, advogado das empresas familiares, se impôs, casou-se, com direito à Lua de Mel na Europa.
   Três anos se passaram, o casal bonito chamava atenção.  Antônio não queria filho, Cristina frustrada. O ritmo de amor na cama diminuiu, às vezes mais de três meses sem um carinho.  Em conversa com a prima Sofia, Cristina ouviu com atenção o relato das peripécias sexuais da prima na cama com o marido. Cristina, ingênua, encantou-se com os detalhes contados, ascendeu uma fogueira em suas entranhas, quase adormecidas.
       Certa noite, depois do banho, vestiu minúscula lingerie preta, divina. Antônio ao deitar disse apenas cansado, deitou-se, virou-se para o lado.  Ela não admitiu ter se preparado e o marido, sequer notou. Abraçou -o, atacou com volúpia, mãos e bocas entornaram o corpo másculo. Antônio levantou-se, olhou para esposa, repreendeu, "quem faz isso é prostituta, quem lhe ensinou? Você quer ser rapariga? ". Foi dormir em outro quarto.
     Cristina chorou, seus instintos desejavam aqueles carinhos ensinados pela prima. Ela se perguntava, era uma tarada? Custou a dormir.  Antônio jamais voltou a falar sobre o acontecimento daquela noite.
   O casal gostava de passar fim de semana no bucólico sítio da família em Bica da Pedra, beirando a lagoa Mundaú. Certo domingo Cristina teve que retornar à Maceió mais cedo,  o motorista foi levá-la.  Perto da noite ele pegaria Antônio. Deixou o marido cheio do uísque deitado na rede. Vinte minutos de viagem sentiu a falta da bolsa, naquela época não havia telefone no sítio, resolveu voltar. Ao entrar na casa não havia vestígio do marido, apanhou a bolsa em cima da mesa, de repente ouviu barulho em seu quarto. Ao abrir a porta, um choque inesperado, a cena mais horripilante permaneceu na memória para o resto da vida: O belo Antônio, nu, abraçado ao filho do morador. Cristina soltou um grito de horror, correu, entrou no carro, chorando até chegar em sua casa.
Era noite quando Cristina parou de chorar, tomou um banho, olhou-se no espelho, achou-se bonita. Colocou um belo vestido,  pegou um taxi em direção ao Zinga Bar em Riacho Doce, avistou alguns conhecidos, sentou-se à mesa com amigas, a partir dessa noite, escandalizou a província saindo com homens solteiros e casados. Cristina e Antônio tornaram-se comentários em todas as esquinas, bares e lares da cidade.
 Certo dia, sem avisar, Cristina viajou ao Rio de Janeiro. Amou a balada carioca dos anos 60/70. Bonita, fez sucesso entre artistas, políticos, desocupados. Arranjou um emprego para se sustentar, expediente a partir do meio dia numa repartição pública. Ela caiu nas noitadas cariocas. A nova vida tornou-a uma boêmia. Fez sucesso, os homens faziam fila esperando sua vez. Até que certo dia um senador se apaixonou, deu-lhe apartamento, joias, um emprego no Senado, letra O, em troca da exclusividade. Os anos passaram, teve dois filhos com o Senador. Hoje, mora em Copacabana, nenhum vizinho sabe a origem, o segredo daquela bela setentona, "viúva" e rica. Da janela de seu apartamento, Cristina olha o mar azul, relembrando sua juventude, bela, recata e do lar. Quando dá saudades vai rever o sítio da Bica da Pedra na lagoa Mundaú. 


AVISO AOS NAVEGANTES:


AS ELEIÇÕES 2020 ESTÃO AÍ. 
SRS. CANDIDATOS.
SÓ VOTO NO CANDIDATO QUE SEJA HONESTO COMPROVADAMENTE.
 E QUE TENHA EM SEU PLANO DE TRABALHO OS SEGUINTES PROJETOS- COMPROMETIMENTOS:
1 - Iniciar um trabalho sério da despoluição do Salgadinho.
2- Acabar de uma vez com as línguas sujas nas praias.
3- Incentivar e até exigir do turismo receptivo, realizar também turismo cultural (não faltarão roteiros e programas)
4 -Realizar Festas ( ou Feiras) Literárias nos bairros, como forma de incentivo à leitura à comunidade e aos alunos.
5 -Trabalhar com a cultura dando espaço, criando emprego e renda, incentivo à Economia Criativa.
6 - Continuar o trabalho de cultura que está sendo realizado em todas as Escolas Municipais.
7 - Criar uma biblioteca em cada bairro.
8 - Criar emprego e renda na periferia, diminuido a diferença social e econômica entre os cidadãos.
9 - Realizar um trabalho cultural, econômico e ambiental na Lagoa Mundaú, juntamente com a comunidade.
10 - Continuar com o projeto do Carnaval, Festas Juninas e Natal.
11- Construir moradias para população carente.
12- Começar a planejar a retirada da fábrica BRASKEM de produtos químicos letais e mineração desastrosa.
TÃO POUCO O QUE QUERO PARA MINHA QUERIDA E BELA CIDADE DE MACEIÓ.

ALAGOAS


OPINIÃO DO GENERAL MARCO ANTÔNIO FELÍCIO -

UM PARTIDO DO MAL

Gen Marco Felicio
É incompreensível e inadmissível que o Partido dos Trabalhadores, com suas lideranças, militantes, infiltrados e simpatizantes, guiados pelo chefe da quadrilha que nele se instalou, o criminoso Lula, ainda tenha liberdade plena de atuação na vida política brasileira, após trair a Nação, mergulhando-a na maior crise política econômica e social pela qual o País já passou. Roubaram não só o tesouro nacional, por meio de extenso e intenso sistema de corrupção como também a esperança de milhões de brasileiros que, enganados, os apoiaram a fazer barbaridades, que se espalharam por diversos outros países. Desses, alguns se tornaram bolivarianos, mistura de populismo, gramscismo e totalitarismo, levando-os, também, à ruína.
Após o Sétimo Encontro Nacional, em 2019, o PT mostra um Bolsonaro ameaçador da Democracia e das instituições”, sendo Ele indicado como a continuidade ao golpe do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e da “ prisão ilegal e cassação” da candidatura do criminoso Lula, em 2018. Segundo o PT, de extrema-direita, antidemocrático, cumpridor de agenda de destruição do País, da soberania, dos direitos e das liberdades. Um governante que cria desemprego, pobreza e fome e que agride a Constituição todos os dias.
Somente um partido como o PT, de forma cretina, em oposição radical e irresponsável, transfere para o governo Bolsonaro toda a negativa herança deixada pelos próprios governos petistas durante os vários anos seguidos em que destruíram o País.
É esse o partido, liderado pelo apedeuta lula, que se uniu à comunista Cuba e criou o Foro de São Paulo, congregando dezenas de partidos comunistas, incluso brasileiros, e organizações guerrilheiras, submetendo interesses nacionais às decisões do Foro, contra o que estabelece a Constituição brasileira, cometendo crime de lesa pátria.
Tal partido, mostra o seu viés ideológico ao aprovar, sentindo-se seguro no Poder, o III Plano Nacional de DH, gestado em coerência com o que pregava o gramiscista Foro de São Paulo. Publicado ao final de 2009, no governo Lula, mostrou ser a base para a adoção de uma Constituição de cunho comunista. Avaliado no Senado, na opinião do senador Arthur Virgílio, o texto do Plano seria inconstitucional: "O texto colide com princípios constitucionais essenciais como a da livre iniciativa privada, o direito de propriedade e a liberdade dos meios de comunicação, contendo diretrizes político-ideológicas parciais e totalitárias que restringem os direitos e garantias individuais e fragilizam as instituições democráticas, instrumentos primordiais na manutenção do Estado de Direito". O Plano teve forte repulsa de segmentos da Sociedade. Essa a “democracia radical” que o PT defende.
Afirmam as lideranças do PT que o partido está articulado com os demais de oposição, com as centrais sindicais e com organizações da sociedade para deter o governo Bolsonaro ao qual acusa, raivoso, com mentiras, isto é, do mesmo que realizou de negativo quando no governo. Atingiu, em primeiro lugar, os interesses do povo, dos trabalhadores e dos desprotegidos, que precisavam garantir o direito à liberdade, ao trabalho, à renda e a uma vida digna, suprimindo 13 milhões de empregos em meio a desastrosa corrupção, aumentando a carência dos mais pobres, privando-os até mesmo da suas necessidades básicas. Lula livre, um criminoso solto e mentiroso é ofensa à Nação e a Democracia, fruto de uma Justiça leniente. O PT é a sua cara, um partido do mal, e não deixa dúvidas da necessidade, que tem a Nação, de extirpar-lo do cenário político do País como se extirpa um câncer para que o doente grave possa sobreviver com saúde.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA.


AFINAL, O RETORNO DO CARNAVAL


            Em Maceió, os carnavais de outrora eram de suprema alegria, alto astral fazia bem ao espírito e à cabeça dos foliões dessa terra bonita, onde todos se conheciam, se amavam. No carnaval a ordem era cair no passo, dançar o frevo, sambar, se esbaldar, curtir, namorar.
          A temporada carnavalesca começava com o chique Réveillon do Clube Fênix, logo após vinha o esperado Baile de Máscaras, com fantasias e máscaras obrigatórias ou traje a rigor. Os foliões pulavam até o Sol raiar e um banho de mar amanhecendo o dia na praia da Avenida da Paz. Enquanto a moçada esperava o carnaval chegar, aos sábados havia festas pré-carnavalescas: Noite no Havaí, Preto e Branco, Baile Tricolor. Os surdos e tamborins começavam a esquentar nessas festas, onde a paquera era escancarada. Início e término de muitos namoros.
Durante a quinzena anterior ao carnaval, a Prefeitura organizava uma animada Maratona Carnavalesca toda noite na Rua do Comércio, com corso de carros rodando e muito frevo. As jovens desfilavam sentadas nos para lamas dos carros, jipes e caminhonetes. Nas esquinas havia uma orquestra tocando o frevo. Ali se misturava a burguesia, a classe média, o povão, os estivadores, as empregadas, soldados, pedreiros, lavadeiras. A Maratona Carnavalesca emendava com o carnaval, só terminava quarta-feira de cinzas.
   No domingo antes do carnaval acontecia o Banho de Mar à Fantasia. A Avenida da Paz ficava apinhada de foliões. A C.O.C. organizava concurso de fantasias, blocos e críticas (sempre bem humoradas criticando os governos ou nossos costumes). Destacava-se a turma irreverentíssima formada por: Rubens Camelo, Alipão, João Moura, Napoleão, Bráulio Leite, Vadinho, Santa Rita. O Fusco dava seu show particular, além do Tarzan e senhora, com suas fantasias.
        O carnaval iniciava no sábado de Zé Pereira. Depois do corso tínhamos duas opções para os clubes: CRB ou Tênis. No domingo além da matinal da Fênix havia à noite o Baile dos Marujos no Iate ou o Baile da Fênix.
       Depois do ano novo os blocos de frevo ensaiavam desfilando pelas ruas da cidade. Cara Dura, Cavaleiros dos Montes, Bomba Atômica, Sai da Frente, Vulcão, Pitanguinha vai à Lua, Amigo da Onça, saiam em noites variadas pelas ruas de Maceió. O Bloco Vou Botar Fora, um dos mais animados com sua música, inconfundível, cantada pelos foliões: “Viva a Suprema Folia...Tristeza que vá embora...O que não for alegria... Vou Botar Fora, Vou Botar Fora.”
       De repente os carnavais de clube foram se acabando, como aconteceu em todo o Brasil. E o carnaval de rua também foi sumindo, devido a vários fatores, tantos, que aqui não há espaço para essa discussão. Maceió nos dias de carnaval transformou-se num cemitério, fizeram de nossa cidade um sanatório. Alguns empresários do turismo faziam propaganda, “Venha descansar em Maceió onde não tem carnaval” os restaurantes vazios, os bares fechando, os ambulantes retornavam da praia sem ter vendido sequer uma garrafa de água mineral. Mais de 200 mil maceioenses saem da capital em busca de folia em outras cidades. Se cada um gastar, durante os dias de carnaval, R$ 500,00, são mais de R$ 100 milhões de reais que deixam de circular na cidade de Maceió. Carnaval é dinheiro, um negócio, gera emprego e renda, todos ganham: os taxistas, as costureiras, os ambulantes, os eletricistas ou montadores, as fabriquetas de camisas, os hotéis, as pousadas, os músicos, as barracas de praias, os aluguéis de cadeiras, enfim uma quantidade enorme de profissionais da rede da Economia Criativa, ou seja, a economia gerada pela cultura. E o carnaval além de ser a síntese dessa Economia Criativa, é a maior manifestação popular da cultura do povo brasileiro.
 Há seis anos juntamos amigos e criamos o Bloco da Nêga Fulô para sair durante o carnaval e incentivar outros blocos e retornar o carnaval dessa cidade linda maravilhosa.
  Há Prefeitura entendeu também da necessidade do retorno do carnaval de rua, e que todos têm direito à alegria fugaz que se chama carnaval. Há dois anos a FMAC realiza um projeto de carnaval decente para nossa cidade. Afinal em 2020 está se concretizando a consolidação do projeto de carnaval de rua com uma excelente programação: Polos carnavalescos em diversos bairros de Maceió, como Vergel do lago, Pontal da Barra, Ipioca, Benedito Bentes. Bebedouro, Jacintinho. O Carnaval de 2020 será aberto no Polo Jaraguá na sexta-feira dia 21. E o Polo Orla a agregação de todos os bairros da cidade com uma programação de encher os olhos e alegrar os foliões: De sábado (22) à terça-feira (25) todos os dias, das 10 horas da manhã às 24 horas haverá desfile de Bloco de Frevos, Escolas de Samba, Bloco Afro, Bumba meu Boi, Maracatu entre outros. O Polo Orla, entre os 7 Coqueiros e o Alagoinha, será uma belíssima passarela, onde serão armadas arquibancadas para o povo assistir os desfiles. Os blocos serão abertos, sem cordas, sem obrigatoriedade das camisas. Convidamos a todos maceioense para divertirem-se com tranquilidade a qualquer hora do dia, tragam seus filhos, seus netos. Afinal, é o retorno do carnaval.