sexta-feira, 12 de junho de 2015

UM TEXTO DE ALBERTO ROSTAND

PALAVRAS PARA MINHA NAMORADA

Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL

Lembro quando, muito jovem ainda, o dia hoje vivenciado nada mais era que um longínquo futuro e tracei o perfil da namorada que gostaria de ter: além de linda, alegre e incrível, ela não deveria ter ciúmes e, muito menos, fazer drama...
Muitas primaveras se passaram e eu, tal qual um beija flor, procurei-a, e imitando um maestro, busquei encontra-la na mais perfeita harmonia e, como um andarilho, de braços abertos em demasia sonhei... Em meus pensamentos imaginava alguém que não me deveria criticar em nada; não comentar meus defeitos; nunca emitir opiniões contrárias e, muitos menos, deixar de possuir outros atributos teoricamente ensejadores da perfeição.
Até que um dia a vi... Você ia apressada, caminhando com seu jeito jovial por entre flores e folhas, atravessando nuvens e estrelas. Recordo haver ficado a olhá-la, controlando a vontade de abordá-la... Eu já me havia deslocado muito, em busca da perfeição. Então relembrei minha faselagarta quando me jogava na corrida desenfreada para sobreviver aos pântanos do cotidiano, sem ao menos perceber o sol me aquecendo, a brisa me tocando ou a alegria existente a meu lado, tendo de atacar sempre, para conseguir o alimento de meu eu interior e me manter em um casulo onde, na escuridão, permanecia inerte, ensejando florescer o egoísmo trazido por muitos.
            E ali, olhando-a e também meditando, compreendi que você haveria de me bastar; que não precisaria ser a melhor em tudo, pois seu sorriso é que seria importante. Imaginei ser a perfeição algo fora do alcance do ser humano. Eu não queria mais uma namorada perfeita, e sim uma pessoa como você, também possuidora de defeitos, mas donatária da mágica virtude de me fazer feliz.
Já se vão quarenta anos de convívio. Inúmeros foram os “dias dos namorados” juntos celebrados. Já estivemos em restaurantes, ficamos em casa, sozinhos, ou caminhamos, sempre de mãos dadas, tanto pela areia das praias, pelo verde dos campos e também pelas esquinas em concreto de diferentes partes do mundo. O mais impressionante é que nunca cansei de, em todas essas oportunidades, procurar sempre olhar através de seus olhos, na certeza de que, assim o fazendo, me deslumbraria com a visão, devido à doçura das cores fortes e incentivadoras com as quais você sempre buscou ornamentar suas paisagens, transformando tudo quanto via, quase sempre, em obras de arte.
            E então, Ana Lanverly, juntos construímos uma história de vida e formamos uma família, considerada o grande tesouro que jamais haverei de perder. A você dediquei todas as minhas imperfeições e qualidades e de você absorvi os mais sofisticados perfumes e essências. Hoje, após tanto tempo, posso dizer que acertei, pois você sempre será, para mim, a menina vislumbrada um dia, pela vez primeira. Por tal fato, esteja onde estiver, haverei de visitá-la, mesmo fora de seu perceber, para, de forma permanente, preencher meu coração com o mais puro dos sentimentos.
P.S. Lhe amo.

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