sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

UM TEXTO DE ALBERTO ROSTAND

PRIMEIRO ENTRE IGUAIS...
Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de letras e do IHGAL

Ao receber a comunicação de que meu nome fora escolhido, pela Diretoria e Conselheiros do Clube de Engenharia de Alagoas para receber uma homenagem dos colegas, no Dia do Engenheiro, meu pensamento retroagiu no tempo para fixar-se em um best-seller da literatura inglesa – Primeiro entre iguais – lido aos trinta anos de idade, na época em que ainda engatinhava no culto às grandes criações da escrita universal, como esta aplaudida obra escrita por Jeffrey Archer, quando ele contava pouco mais de quarenta anos.
Político e consagrado escritor, Archer buscou o enredo de seu livro na experiência adquirida como membro do Parlamento Britânico desde que presenciara a ascensão de um de seus pares à condição de Primeiro Ministro, independente de qualquer hierarquia dentro do Gabinete.
Foi assim que me senti na noite do evento. Escolhido por companheiros, sobre os quais em nada me sobressaio, recebi tão importante homenagem como uma sobrecarga de responsabilidades, a pesar em meus ombros de Engenheiro Civil, igual a todos os outros. E aquele encargo cresceu e se agigantou, mesmo, pelo fato de durante a solenidade, a mim haver sido delegado, falar em nome dos demais destinatários dos troféus, em cuja relação de nomes encontrei, além de colegas a quem muito admiro, vários ex-mestres, autoridades civis do Estado, construtores renomados e, até, um ex-Reitor da Universidade Federal de Alagoas.
Naquele momento, sentindo-me, então, um distinguido, entre iguais, esforcei-me para expressar, ao Clube de Engenharia de Alagoas, que orgulhosamente integro, minha alegria por haver sido considerado “um colega que, em sua área de atuação, destacou-se de forma relevante, tornando-se exemplo e referência para os demais colegas”, conforme consta do ofício/convite, responsável pela lisonjeira notificação.
Sempre soube que integrar uma categoria profissional implica no dever de honrá-la e fazê-la maior, a cada dia, na certeza de que seu destaque será o nosso e abrilhantando-a estaremos crescendo com ela.
Inquestionável é a certeza de que uma entidade de classe é a residência profissional daqueles que a integram. Mantê-la respeitada, acessível e digna de elogios é dever de cidadania dos componentes da categoria, até porque, assim como os livros são guardiões das histórias neles contidas, também os clubes merecem nosso carinho e respeito, pois, se os vilipendiarmos eles não se diminuem, mas, se os prestigiarmos eles nos dignificarão.
Terminada a solenidade, vislumbrando a beleza do céu que vigiava a enseada da Pajuçara, definitivamente me convenci de que nos devemos esforçar para sempre plantarmos nosso próprio jardim, ao invés de esperarmos que alguém nos traga flores. Reconheci que podemos suportar as intempéries surgidas em nossa caminhada, que devemos ser fortes, para sempre termos condições de ir um pouco mais longe, mesmo quando imaginamos não mais conseguirmos. Apesar de tudo isto, cada vez melhor aceito a certeza de que, na vida, o máximo que poderemos atingir é sermos o primeiro entre iguais...

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