
POUPANDO TRABALHO AOS AMIGOS (REPUBLICAÇÃO)
Esta texto foi publicado no dia 2 de dezembro de 2013
Estou absolutamente certo que terei um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Que o Brasil vai ser coberto de amor, paz e luz neste mês de dezembro que está começando. Que a felicidade inundará o coração de todos e que o mundo será bem melhor daqui pra frente. Que o Menino Jesus vai trazer boa sorte e fortuna para a humanidade. Estou certo disto tudo.
De modo que poupo aos meus caros amigos o trabalho protocolar e burocrático de me dizer estas coisas por estarmos chegando ao final do ano. Fico até temeroso que meu correio eletrônico entre em pane, tamanha a quantidade diária de mensagens com votos das assim chamadas “boas festas”. Ressalto e insisto que não estou sendo ingrato ou grosseiro; estou apenas querendo poupar trabalho àqueles que me são caros.
Por um repentino milagre, nesta época do ano ficamos todos bonzinhos, minando amor por todos os poros e entupidos dos mais puros e benfazejos sentimentos do mundo. As maldades e putarias que fizemos durante o ano todo ficam definitivamente sepultadas.
Pronto. Dito isto, sinto-me desobrigado do amor e da boa vontade que o período nos obriga a ter e passo a agir como ajo no resto do ano: arengando, trocando tapas, dando tabefes, recebendo bofetões, odiando meus inimigos, rogando pragas pro chefe, falando mal dos meus amigos, pagando proprina pro policial, xingando os outros motoristas no trânsito, desejando a mulher do próximo, esculhambando meu vizinho, tendo inveja dos que têm sucesso e rogando pragas contra os que têm mais posses que eu.
Vou dar uma banana bem estralada pras multidões que invadem os centros de compra, no anual e rotineiro furor consumista, e num vou comprar porra nenhuma neste mês que não seja o essencial pra abastecer minha bodega caseira. Se depender de mim, o comércio que vende brindes e presentes vai ter um prejuízo arretado neste final de ano.
Os últimos dias de 2013 eu vou gastar procurando este velho ridículo e idiota, este pedófilo safado chamado Papai Noel, importado das geladas regiões boreais, vestido pra uma tempestado de neve numa cidade onde faz 40 graus à sombra. Este velho fela da puta que só premia os ricos e fode as crianças pobres. Vou dar-lhe uma cambada de pau tão da gôta serena que ele vai ver o começo mas não vai ver o fim.
Vou deixar de lado o Natal europeu-americano deste velho tarado e vou mergulhar de cabeça nos folguedos nordestinados de final de ano, com muita fruta tropical, muita cerveja, muita comida regional, muito forró pé-de-serra e frevo, muita dança, maracatu, pastoril, reisado e cachaça boa de cabeça. E vou exercitar minha vontade pra tentar ser um sujeito bom o tempo todo, voluntariamente e do fundo do meu coração, e não somente no final do ano, apenas porque uma tradição idiota manda que assim seja.
E, em falando de Papai Noel, vou repassar pra tudo quanto é sujeito que me detesta (que não são poucos…), pros cabras safados deztepaiz, pros corruptos, pros bandidos e pros pilantras de todo o mundo, o cartão que recebi de Esmeraldo Boca-de-Fossa, peruador sociológico palmarense, a seguir reproduzido, desejando que uma pajaraca de grosso calibre arrombe o furico de cada um deles:
Papai Noel vem ai
Que alegria, que prazer
Vem trazendo um presentinho
Pra bundinha de você
Que alegria, que prazer
Vem trazendo um presentinho
Pra bundinha de você
Boas Entradas com Vaselina Pacu!

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