HOMEM - CONTRAPONTO DOS PRÓPRIOS ERROS
Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL
A ânsia das conquistas, sejam elas voltadas para o bem, ou para o mal, é um dos atributos humanos mais importante. Chego a acreditar que, em certos momentos, o homem se sente tal qual um semideus, pelo fato de haver participado, embora por instantes, da espantosa grandeza do Criador. Donatário do poder, o racional influência a vida de seus semelhantes, modificando paisagens, interferindo inclusive no curso da história.
Frequentemente medito sobre o que seria “um grande homem” e rendo-me à certeza de, definitivamente, não saber. Seria ele simplesmente inteligente, poderoso, religioso? Creio que não! Poderia lhe faltar vigor, profundidade, plenitude e liberdade de espírito, indispensáveis à verdadeira grandeza. Um fato, porém, apresenta-se como inquestionável: somente um ser pensante pode reconstruir tudo aquilo que um dia foi destruído por seu semelhante.
Recentemente estive em Varsóvia, capital da Polônia, e encantei-me com a beleza do local que, talvez por ter suas origens vinculadas à idade média, ainda possui, cercado por altas muralhas, o que outrora compunha uma extensa construção, em forma de fortaleza, hoje chamada de cidade velha. De ruas largas e prédios históricos, com várias igrejas, algumas concebidas em estilo gótico, além de monumentos diversos dedicados, tanto a filhos ilustres, a exemplo de Nicolau Copérnico, o compositor Chopin e o Imperador Alexandre III, como também aos heróis do gueto e da resistência polonesa, durante as invasões alemãs.
O que mais me impressionou, contudo, naquela terra, foram as imagens espalhadas pelas praças e avenidas, lembrando a todos o sofrimento pelo qual passou aquela comunidade durante a Segunda Guerra. 95% de suas edificações foi literalmente bombardeada e destruída e dois, a cada três filhos da terra, em uma população de 1,2 milhões de habitantes, mortos pela maldade do homem alemão.
Analisando aquelas fotografias, datadas dos anos quarenta do século passado, pude ver construções caídas, quase grudadas ao chão, emolduradas, não somente por um ar nervoso, como também, vias revestidas em paralelepípedo, às vezes recobertas por uma neve suja e ensanguentada, vislumbrando-se, aqui e acolá, pilares de concreto destruídos e arvores nuas que mais pareciam porta chapéus.
Pude ver, também, os muros delimitadores dos guetos, dentro dos quais quatrocentos e cinquenta mil judeus foram aprisionados, até serem transferidos para campos de extermínio, aos quais pouquíssimos sobreviveram. Asseguro: por mais que buscasse, não enxerguei naqueles registros fotográficos nenhum sorriso. Até as estrelas pareciam estar em chamas...
A Varsóvia que eu conheci é uma cidade próspera e moderna, integral e minuciosamente recuperada, como se nada ali tivesse sido um dia demolido. Minha conclusão foi de que o homem, quando imbuído de intenções nobres, torna-se grandioso, assemelhando-se ao sol, este astro tão poderoso a ponto de sustentar um sistema planetário, mas também tão delicado, capaz de depositar beijos nas pétalas das flores.

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