segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Eleitores dão seu grito de independência contra velhas práticas Especialista analisam as tendências manifestadas nas últimas pesquisas. JORNAL DO BRASIL

Há pouco menos de um mês para as eleições, que acontecerão no dia 5 de outubro, o eleitorado brasileiro tem se mostrado cada vez mais decidido em suas escolhas. Apesar da dificuldade em se prever quem sairá vitorioso com base no resultado das pesquisas de intenção de voto, especialistas acreditam que as manifestações do ano passado podem influenciar na escolha dos candidatos e no posicionamento do eleitor. Seja como for, os nomes que aparecem com destaque nas projeções mostram claramente que o eleitor assume uma posição e mostra que quer dar seu grito de independência contra velhos vícios e antigas práticas políticas que ficaram no passado. Neste 7 de Setembro, nada mais significativo do que analisar o por quê desta tendência.
Para o cientista político Ari de Abreu, da UFF, “as motivações dos eleitores na escolha de seus candidatos e também da rejeição de outros são variadas. As manifestações trouxeram contestação às organizações partidárias e aos partidos políticos. De alguma forma, elas afetaram o desempenho da Dilma. Eu acredito que há uma postura de mudança, de crítica ao governo e a forma que se faz política. Não sei até que ponto vai ser assim, pode haver surpresas. É difícil prever o que está movendo o eleitor.”
Aécio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva
Aécio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva
Jacqueline Quaresemin é professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP) e também diretora da Opinare Pesquisa. Ela acredita que o eleitorado brasileiro está cada vez mais consciente. "As pessoas estão buscando mudança. Elas querem democracia, querem valorização, querem participação. As manifestações do ano passado tomaram aquela proporção porque as pessoas estavam descontentes. O movimento buscava pensar a sociedade. O eleitor não se sente representado pelos partidos políticos.”
Ainda sobre as manifestações, a cientista política analisa que Marina, de certo modo, é independente. "Seu partido Rede Sustentabilidade não foi registrado a tempo. O 'não' aos partidos, de algum modo manifestado nas mobilizações de julho de 2013, traduz um pouco isso. Analisar se a decisão do eleitores é definitiva ou poderá mudar, pergunta que está sendo feita pelos Institutos de Pesquisa Ibope e Datafolha, é um cruzamento interessante para observar tendências nos próximos 30 dias”.

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