Correspondências encontradas no sistema prisional de Alagoas no início deste mês indicam que presos no estado mantêm contato com uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios. O G1 teve acesso com exclusivade aos manuscritos, que trazem ameaças, exigências de regalias e reclamações sobre o modo de tratamento dos presos. O juiz da 16ª Vara de Execuções Penais, José Braga Neto, confirma a suspeita de que a facção criminosa tem braços em Alagoas, mas diz que isso ainda está sendo investigado.
Alguns textos, como o da carta acima, estimulam a união entre os presos. Segundo agentes penitenciários ouvidos pela reportagem, que pediram para não serem identificados, as cartas são uma forma de desafiar as autoridades. Segundo eles, os presos usam o nome da facção, que surgiu na década de 1990 nos presídios de São Paulo, para demarcar território dentro da prisão.
As cartas foram interceptadas durante uma vistoria realizada nos dias 6 e 7 nos presídios Cyridião Durval e na Casa de Custódia da Capital, conhecida como Cadeião. Segundo os agentes, elas representam apenas uma pequena parte do que circula dentro das unidades. Os manuscritos trazem ainda ameaças de morte a funcionários, além de pedidos de regalias e reclamações por parte dos presos.
Em outra carta, os presos fazem uma série de exigências enumeradas. A 15ª da lista pede a saída do coordenador de operações do Presídio Desembargador Luiz de Oliveira Souza, no Agreste do estado, identificado pelos presos como "Allemberg", funcionário da empresa Reviver.
A reportagem do G1 entrou em contato com diretor-presidente da Reviver, que tem sede em Salvador. De acordo com Odair Conceição, o funcionário chama-se Rollemberg (ele não soube informar o nome completo do funcionário) e está na função desde que o presídio foi inaugurado no município de Girau do Ponciano. "Encaramos essa ameaça como uma tentativa de os presos se livrarem de um funcionário que trabalha dentro da legalidade. Como os internos do Agreste estão ali sem direito a nenhuma regalia, como drogas ou celulares, querem intimidá-lo", afirma.


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