COMO NO VESÚSIO
- Eduardo, aqui sou seu cadete. Diga onde e a que hora.
- Passo aí no hotel às oito, quando sair daqui.
EDUARDO CAMPOS
Mas o quente da conversa foi minha primeira pergunta :
- Vai ser candidato a Presidente?
Impossível responder naquele instante. Não podia jogar Pernambuco para o alto numa aventura, quando estava fazendo administrações de sucesso. Tinha que esperar o debate presidencial esquentar para discutir o assunto dentro do seu Partido Socialista e com os aliados de governo. Por menos que dissesse, sai convencido de que acabaria candidato. Era a hora. Escrevi uma coluna lembrando que a história do Brasil mostra que imprensa e pesquisas erraram todas desde 1945: quem ia perder ganha. Em 1945, Dutra ia perder para Eduardo Gomes e ganhou. Em 1950, Getúlio ia perder para o Brigadeiro e ganhou. Em 1955, Juscelino ia perder para Juarez Távora e ganhou. Em 1960, Jânio começou perdendo para Lott e ganhou. Em 1989, Collor ia perder para todos e ganhou de todos. Terminei assim :
- Alô Eduardo Campos! No Brasil, ganha quem ia perder.
OS MASCARADOS
No dia 27 de agosto do ano passado escrevi aqui:
- O governador Eduardo Campos, de Pernambuco, mais uma vez honrou o legado de Arraes e mostrou que “quem sai aos seus, não degenera”. O País não entendia como 27 governadores estavam acuados por esse punhado de fascistazinhos dos Black Blocs, filhinhos de papai de caras cobertas e roupas negras, aterrorizando e quebrando monumentos de centenas de anos, palácios, joias da arquitetura como o Itamaraty.
Jornais e TVs, grupos alegres da OAB, ONGs vadias, sem coragem de combater os criminosos, exigem que a polícia “só aja no flagrante”, na e depois da quebradeira e a acusam de usar bombas, sprays, balas de borracha, “não ter limites”. Às vezes não tem. É preciso denunciar. Mas como enfrentar vândalos encapuzados, drogados, estipendiados, pedras e molotovs nas mochilas,barras de ferros nas mãos?
- O País agradece ao governador Eduardo Campos a lição de decisão, transparência e cidadania. Proibiu mascarados nas manifestações em Pernambuco. Passeatas, marchas, protestos, são da democracia. Mas, esconder-se atrás de mascaras para vandalizar vitrines e cidades, não.
- Ainda bem que o Brasil tem um governador sem máscara. Ao menos um.
SILVA JARDIM
A tragédia não avisa, não telefona, não manda e-mail. Há uma semana, o Brasil chora a brutalidade que levou Eduardo Campos e seus companheiros. Quando o jornalista e combatente do abolicionismo e da República, Silva Jardim, desapareceu em Nápoles, tragado pela garganta de fogo do Vesúvio, José do Patrocínio deixou escrito para a história :
- “Grande brasileiro. Até para morrer converteu-se em lava”.
Como o querido e saudoso Eduardo Campos.
PEDRO VALADARES
Também Sergipe chora um jovem filho, amigo de Eduardo Campos: Pedro Valadares Neto, cheio de sonhos, três vezes deputado federal.
Nós, do Diário de Pernambuco, abraçamos nossa encantadora colega Cecília Ramos, que perdeu seu companheiro, Carlos Percol,
E mais o Alexandre. E o Marcelo. A morte é estupidamente cega.
“Palida mors pulsat”, disse Horácio. (“A pálida morte bate forte”).

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