ACESSIBILIDADE COM AUTONOMIA, UM DIREITO AINDA DISTANTE

O tema é nacional e aos poucos se torna um divisor de água, sobretudo nas eleições deste ano. Compreender este universo que envolve um portador de necessidades especiais é muito mais do que prescreve as normas da ABNT, que diz que acessibilidade: “É a possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos.” Este conjunto de palavras resume um único objetivo: estabelecer a confiança ao portador de qualquer que seja a deficiência.
Muita gente pensa que promover a acessibilidade é fazer uma rampa e adaptar um banheiro. No entanto, o cadeirante, tal qual o deficiente visual, tem o mesmo problema de mobilidade. Atravessar uma rua que já é difícil para o cadeirante, mais ainda para o cego. Então, o leitor pergunta: – Mas o cego não pode andar sozinho? – Como não pode? O cego, assim como qualquer outro portador de necessidades especiais deve ter o direito de andar sozinho. O passeio público é que não pode ser interrompido por uma rampa de garagem, por jardineiras e nenhum outro obstáculos. Enfim, o planejamento urbano é que precisa mudar seus conceitos. Não podemos passar o resto da vida teorizando este tema.
Recentemente o SEBRAE publicou uma cartilha sobre as relações com pessoas portadoras de necessidades especiais. Fez isso ouvindo as associações, conhecendo na prática esta realidade.
O tema acessibilidade ainda é novo e embora faça parte das normas da ABNT, gerando assim uma expectativa de que haja resposta para todas as questões, a prática, o convívio com o portador de necessidades especiais tem demonstrado o contrário. Estamos longe de atender bem a esta demanda. Estamos aprendendo.Percebe-se que a adaptação exige procedimentos sistematizados, sobremaneira em se tratando com o deficiente visual. É mais fácil lembrar o que está no lado direito ou no lado esquerdo, do que aleatoriamente. Nada pode ser alterado, sem que este tenha conhecimento prévio de tais mudanças. Uma informação sobre o espaço a ser visitado que precede o ambiente deve estar sempre na mesma altura, no mesmo lado. Há muita coisa que precisa ser convencionado e informado a essas pessoas. Acessibilidade se faz promovendo a autonomia. E a autonomia exige a promoção da confiança entre essas pessoas. Ter confiança para sair de casa, ir ao trabalho, passear, viver é um direito de todo o portador de necessidades especiais
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