QUANDO O RISO VIROU PRANTO
Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.

Já se passaram 17 anos quando o extinto O Jornal teve a delicadeza de publicar um texto de minha autoria. Versava sobre o vestibular “fora de época” da também extinta Escola de Ciências Médicas de Alagoas (Ecmal). Continuaria no anonimato (de onde jamais deveria ter saído) se o tímido ensaio não tivesse sido lido por dr. Ib Gatto Falcão. Mestre Ib, então presidente da Academia Alagoana de Letras, carregava na sua extensa folha de serviços, dentre muitas, a criação da Ecmal. O velho mestre acrescentaria outros dados, de certa forma concordando com o meu arrazoado. Duas coisas aconteceram na vida do embrião de cronista: a consolidação de uma amizade com doutor Ib e o desabrochar de um cronista polêmico.
Deveria ter ficado no “Enterro de Sonhos”. Se hoje meus escritos são quase intragáveis, naqueles primórdios eram vomitivos de tão ruins. Fui enganado. Consagrados homens de letras, certamente condescendentes pela minha atuação
na área médica, encontravam-se comigo e me diziam que haviam lido e gostado. Vera Romariz e Ana Gama, professoras de altíssimo nível, delicadamente supervisionaram os primeiros textos.
Através das mãos generosas de José Medeiros, ingressaria na Sobrames. Pela primeira vez, participaria de reuniões com escritores de verdade, poetas consagrados... A vaidade humana é acrítica. Num encontro fortuito com o professor Aloysio Galvão, atrevi-me a pedir vaga no seu curso de Latim, ministrado aos sábados, em um dos salões da Academia Alagoana de Letras. O “mais atrasado dos alunos” deleitar-se-ia na cultura do mestre Aloysio e de alunos da estirpe de Renira Lima, Vânia Papini e Cláudio Vieira...
Reaproximei-me de outro escritor temporão: Carlito Lima. Laços atávicos de amizade foram reatados. Feito de otimismo, CL é uma figura que dispensa apresentações.
Nesse espaço de tempo, entrei para a Academia Alagoana de Medicina, Academia Maceioense de Letras e fui coroado com a cadeira de número 15 da AAL. Publiquei dois livros de crônicas, “cometi” alguns contos, mas tive o bom-senso de não me meter a poeta.
Nesta Páscoa, fui instigado a escrever sobre minhas memórias fincadas em
Bebedouro. O historiador Sávio de Almeida foi o responsável pelo monte de bobagens que consegui desenterrar da memória. Não foi fácil. Com frequência, enquanto dedilhava, o riso virou copioso pranto.
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