ECOS
Há fatos que ecoam através dos tempos, e cujos ecos persistem quando as suas causas parecem esquecidas como velhos carnavais. O Mao Zedong não quis dizer outra coisa quando lhe perguntaram quais, na sua opinião, tinham sido os efeitos da Revolução Francesa na história do mundo e ele respondeu “É cedo para saber”. Mao ainda ouvia os ecos do fato, que enquanto ecoasse não poderia ser definitivamente avaliado. Para os que ouvem, os ecos da Revolução Francesa soam como clarins da guerra entre as duas proto-ideias de como a história do mundo deve e não deve ser. O que Mao disse é que dois séculos não bastam para saber o resultado de uma guerra.
Mudando de Mao a pior, durante quantos anos ecoarão entre nós os 7 a 1 da Copa? Gerações ainda por vir lembrarão dos seis minutos que nos destroçaram a alma, até que chegue o bendito silencio do esquecimento. Que talvez nem chegue, e num remoto futuro, em certas noites sem grilos, latidos ou briga no vizinho, se ouvirá “Seteaum, seteaum...” . Mas, se tiverem sorte, confundirão o eco com o ruído de apenas mais um foguete disparado para Marte, e dormirão tranquilos.
TRISTEZA
Infelizmente, convivemos pouco, eu e o João Ubaldo. Estivemos juntos mais em Copas do Mundo do que no Brasil. Mas encontra-lo era sempre uma alegria. É triste saber que não nos encontraremos mais.
PAPO VOVÔ
Nossa neta de seis anos acordou sorrindo e disse que tinha tido um sonho bonito. Perguntei: “Com quem você sonhou, Lucinda?” E ela: “Comigo”.

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