domingo, 20 de julho de 2014

JOÃO UBALDO É ENTERRADO NO MAUSOLÉU DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS -G1

João Ubaldo Ribeiro, que morreu na madrugada desta sexta-feira, foi enterrado às 10h deste sábado (19), no Mausoléu dos Imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL)no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Antes do enterro, a tampa do caixão foi reaberta para a despedida final da viúva Berenice Ribeiro. Embaixo do fardão da academia, uma camiseta com a estampa de Itaparica, na Bahia, onde ele nasceu.
Às 8h, na ABL, no Centro da cidade, uma cerimônia religiosa foi celebrada pelo capelão do Outeiro da Glória, Sérgio Costa Couto. Em discurso de despedida, o acadêmico Domício Proença Filho disse que João Ubaldo "partiu de surpresa" e que "a casa está triste, já que perdeu recentemente Ivan Junqueira".
Corpo de João Ubaldo Ribeiro chegou às 9h30 ao Cemitério São João Batista (Foto: Káthia Mello / G1)Corpo de João Ubaldo Ribeiro chegou às 9h30 ao
Cemitério São João Batista (Foto: Káthia Mello / G1)
O acadêmico foi vítima de uma embolia pulmonar e morreu em casa, no Leblon. O corpo seria enterrado na sexta-feira, às 16h, segundo funcionários do Cemitério São João Batista, mas o velório sofreu atrasos por conta da chegada dos filhos que vieram de outros estados e país. A filha Manuela, que mora na Alemanha, chegou às 8h deste sábado portando malas e muito emocionada.
O velório no Salão dos Poetas Românticos, na ABL, começou na manhã de sexta e ficou aberto ao público até as 19h. Duas filhas do autor chegaram ao local no início da tarde. A academia decretou luto por três dias.
Cerimônia religiosa para João Ubaldo Ribeiro começou às 8h50 deste sábado (19) (Foto: Káthia Mello / G1)
Várias coroas de flores chegaram à ABL durante toda a manhã, entre elas, uma homenagem de um dos bares frequentados pelo imortal. O corpo só chegou ao local, entretanto, por volta das 11h30.
O escritor era o 7º ocupante da cadeira número 34 da Academia Brasileira de Letras. Ele foi eleito em 7 de outubro de 1993, na sucessão de Carlos Castello Branco. O secretário geral da ABL, Domício Proença Filho, disse que Ubaldo era um escritor voltado para o povo brasileiro.
"Ele não vinha sempre, mas quando vinha, era uma festa, com aquela voz de barítono, aquela alegria. Ubaldo era um escritor voltado para o povo brasileiro, a realidade brasileira, com a justiça social. Tinha personagens que retratavam bem essa realidade. Tenho certeza que Zecamunista deve estar muito triste hoje", disse Proença.
O presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcante, contou que, nos quatro anos de presidência, encontrou com Ubaldo apenas uma vez, por conta de problemas de saúde do escritor.
"Ele deixa uma marca profunda na história do romance, com 'Viva o povo brasileiro' . Só estive com ele uma vez. Mas sei que ele era uma pessoa jovial, alegre, amigo e muito companheiro. Ele revolucionou o romance brasileiro com 'Viva o povo brasileiro' e 'Sargento Getúlio'", disse o presidente.
Fernanda Torres vai a velório (Foto: Káthia Mello / G1)Fernanda Torres foi ao velório (Foto: Káthia Mello /
G1)














A atriz Fernanda Torres, que no teatro encenou a peça "A Casa dos Budas Ditosos", um livro de Ubaldo, esteve no velório por volta das 17h. “O espírito de "contador de causos" do João Ubaldo deixava as pessoas dependentes. Ela disse que conversou com ele há três semanas, quando precisou de ajuda. "Isso era uma característica dele. Ele era muito severo com as injustiças, mas um poço de candura com quem precisava dele", disse ela.

O cineasta Cacá Diegues disse que Ubaldo é um dos melhores amigos que ele teve. “Somos amigos desde a década de 60. Trabalhamos juntos em dois filmes meus, 'Tieta do Agreste' e 'Deus é Brasileiro', em que ele ajudou no roteiro. João Ubaldo é um homem extraordinário. Sempre nos falávamos. Além disso, é um dos maiores escritores do Brasil da época moderna", disse.

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